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9.12.08

Como é que se deu a aparição de La Salette?

Na manhã do 19 de setembro de 1846 Maximin voltou a acompanhar Mélanie. Era um dia bonito, o céu estava sem nuvens e o sol brilhava intensamente. Subiram o morro de La Salette até uma altura de 1.800 metros, sem poderem imaginar o evento sobrenatural que haveriam de testemunhar.
Maximin queria brincar. Ela lhe propôs seu entretenimento preferido: fazer o que ela chamava de paraíso, isto é, uma casinha de pedras toda recoberta de ramalhetes feitos com flores silvestres, que desabrocham naturalmente nas alturas.
Chegando a uma curva do terreno protegida dos ventos, começaram a levantar o paraíso. No local há muita ardósia, pedra que forma placas e se prestava para o brinquedo.
Ali corre um regato chamado Sézia, formado pelo degelo das neves, e que empresta seu nome ao local da aparição. Também surgia uma fonte de água de vez em quando. Os pastores costumavam levar o gado para beber água dessa fonte, mas desde a aparição, ela vem jorrando sem interrupção. Pode-se beber dela e, por causa disso, muita gente tem recebido graças. Até mesmo milagres têm acontecido.
O paraíso tinha um térreo, que seria a habitação, e um sobrado fechado por uma pedra mais larga. Eles colheram maços de flores, fizeram coroas floridas e as distribuíram sobre o paraíso. Após muito trabalho nessa construção, o paraíso ficou pronto e todo florido.
Os dois admiraram a obra, mas sentiram sono. Afastaram-se um pouco, deitaram na relva e dormiram.
Uma luz mais brilhante que o sol
Maximin contou o que em seguida aconteceu:
“Nossas vacas beberam e se dispersaram. Fatigado, me deitei sobre a grama e dormi. Alguns instantes depois ouvi a voz de Mélanie que me chamava:
– Mémin [era um diminutivo de Maximin], Mémin vem logo, vamos ver onde estão as vacas.
“Eu me levantei num pulo, peguei meu bordão e fui atrás de Mélanie, que era minha guia. Atravessamos o Sézia e subimos rapidamente a encosta de um montículo. Do outro lado percebemos que nossos animais repousavam tranqüilamente.
Voltamos para o banco de pedra, onde tínhamos deixado nossas merendeiras, quando de repente Mélanie parou O bastão caiu de suas mãos, e espantada, ela voltou-se para mim, dizendo:
– Está vendo lá em baixo essa grande luz?
– Sim, estou vendo. Mas vai, pega o teu bordão.
“Então, brandindo o meu cajado de modo ameaçador, eu disse:
– Se ela nos tocar, eu lhe darei um bom golpe!
“Essa luz, diante da qual a do sol parece pálida, parecia se entreabrir, e percebíamos no seu interior a forma de uma Dama ainda mais brilhante. Ela tinha a atitude de uma pessoa profundamente aflita. Estava sentada sobre uma das pedras do banquinho [N.R.: refere-se ao paraíso], com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto coberto com as mãos”.
Era o dia 19 de setembro de 1846. As crianças não faziam bem idéia da magnitude do que estava ocorrendo.
Maximino e Mélanie eram irmãos? Primos? Como se conheceram?

La Salette-Fallavaux é uma pequena aldeia (foto) nos contrafortes dos Alpes, na diocese de Grenoble (França). Sua pacata igreja, rodeada por um certo número de casas, lembra o fato de Nosso Senhor ter chamado a atenção para a galinha que protege os pintainhos sob suas asas.
Um pouco acima na montanha há outra aldeia, menor que a anterior. Seu nome é Les Ablandens e depende de La Salette.
Panorama austero e grandioso deslumbra pela beleza. Os Alpes rodeiam o vale. Suas partes mais altas cobrem-se de neve no inverno e brilham iluminadas pelo sol.
Na parte inferior das montanhas a neve se derrete na primavera, aparecendo novamente os prados naturais. Os habitantes de La Salette há muito tempo levam os seus rebanhos para ali pastar. E contratam servidores para vigiar o gado.
Foi esta a razão pela qual Mélanie Calvat, de 14 anos, e Maximin Giraud, de 11, subiram o morro de La Salette, conhecido como Sous-les-Baises, no dia 19 de setembro de 1846.
Os dois não eram de La Salette. Suas famílias moravam em Corps, pequena cidade localizada na parte mais quente e acessível do vale. Os lares de ambos eram pobres. A casinha de pedra onde nasceu e viveu Mélanie ainda está em pé e pode ser visitada. Sua pobreza é acentuada pelo fato de não ter sido restaurada. Um pouco melhor é a casa de pedra da família de Maximin, hoje transformada em loja.
Os dois jovens precisavam trabalhar para ajudar as famílias. Por isso puseram-se a serviço de dois proprietários de gado na condição de pastores. Mélanie cuidava do gado de Baptiste Pra, agricultor de Les Ablandens. E Maximin tocava as vacas de Pierre Selme, da mesma aldeia. O trabalho não era difícil e adequado à idade dos dois. Na época da aparição havia cerca de 40 pastores trabalhando em condições análogas nas montanhas vizinhas.
Primeiro encontro entre Mélanie e Maximin
Mélanie e Maximin não se conheciam. Ela ficava ocupada em afazeres domésticos ou em encargos que recebia da mãe. Maximin brincava com os meninos da mesma idade. Em 18 de setembro de 1846, véspera da aparição, repararam um no outro pela primeira vez. Estava nos planos divinos que os dois testemunhassem juntos a aparição de Nossa Senhora em La Salette e fossem instrumentos privilegiados da difusão da mensagem que Ela havia de revelar.
Quando Mélanie subia o morro, percebeu um menino que se aproximava dela. Era Maximin.
– “Menina, eu vou com você, também sou de Corps”.
Num primeiro momento, Mélanie não quis aceitar.
– “Não quero ninguém, quero ficar sozinha”, respondeu ela.
Mélanie gostava da solidão, do silêncio e da oração. E o menino a iria atrapalhar. Ela costumava ficar sozinha, falando para “as florzinhas do bom Deus”, que cobrem as encostas das montanhas no verão. Era sua forma preferida de rezar, que se prendia a fatos extraordinários acontecidos na sua primeira infância. Mas disto ninguém sabia.
Maximin era vivo e loquaz. Ficou insistindo. Mélanie se afastava dele fazendo sinais de que não o queria por perto.
Maximin a seguia de longe. Quando ela se punha a falar com “as florzinhas do bom Deus”, ele se aproximava para ouvir. E insistia:
– “Me leve com você. Serei bem comportado. Meu patrão me disse cuidar as vacas junto com as de você. Também sou de Corps”.
Quando acrescentou que iria ficar sozinho e se entediar muito, Mélanie teve pena.
Ela acabou arrancando de Maximin a promessa de guardar silêncio e não perturbá-la na sua contemplação. Maximin garantiu e não se afastou mais dela. Mas, como criança, logo esqueceu a promessa e se pôs a perguntar o que ela falava às flores. E pediu com insistência que Mélanie lhe ensinasse um jogo.
Por fim ouviram o sino da igrejinha de La Salette, que chamava a rezar o Angelus. Ela fez sinal a Maximin para tirar o chapéu e rezaram. Depois ofereceu um pão ao menino e inventou um jogo para ele. A jornada terminou calmamente.
Cumprem-se os sinais de advertência de Nossa Senhora

A violação do repouso dominical com atividades manuais e comerciais, o vício da maldição e da blasfêmia estavam profundamente arraigados na sociedade francesa. O relaxamento religioso tinha permitido essa decadência. Nada parecia conter esses maus costumes, e não eram os únicos.
Não estranha que se cumprissem as primeiras dolorosas advertências de Nossa Senhora.
As batatas e os vinhedos apodreceram, o trigo se desfazia atingido por estranha doença. A quebra das colheitas trouxe a fome.
“Dá pena ver os habitantes da região – escrevia a mulher do prefeito de Aspres-les-Corps – quase todos carecem de pão e batatas. Todos os dias eles percorrem os campos para colher cardos e outras ervas selvagens para fazer uma sopa, que na maior parte dos casos é comida sem manteiga, e no máximo com um pouco de leite. Nossas casas são rodeadas de gente que acha que deveríamos ter de tudo. E cada dia nos é necessário distribuir dinheiro, manteiga, pão e trufas a mais de 10, 15 e até 20 mendigos”.
A falta de alimentos açoitou toda a França.
Cumpriu-se também outra terrível advertência de Nossa Senhora: as crianças menores de 7 anos morriam em quantidade muito acima da média. Só em Corps faleceram 39 em 1847, quando o normal nos anos anteriores girava em torno de 4. Nos cantões vizinhos a mortalidade infantil quase duplicou.
O Pe. Pierre Melin, pároco de Corps, sempre cauto em seus juízos, observava:
“Dando um golpe de vista sobre a sociedade em nossos dias, não é necessário conceber um grande porvir, ou se colocar muito alto para ver que ela é bem ruim nos seus atos e bem doente nos seus princípios. Nossas cidades em geral oferecem espetáculos bem tristes à religião e a seus ministros. (…) O espírito de Deus retirou-se da sociedade. Ela tornou-se carnal, não procura mais do que pão e não acredita nem mesmo que é Deus quem o dá. Não será que o bom e misericordioso Deus a ameaça precisamente com a fome, para lhe desembaciar os olhos e fazê-la tomar consciência de seu erro?”
Abrir os olhos para a causa do mal, arrepender-se, reformar a vida no sentido oposto ao desses males, é a essência da penitência. E esta penitência é o que Nossa Senhora desejava, permitindo acontecer essas calamidades.
Os maus católicos sentem-se atingidos pela mensagem de La Salette

Rapidamente cresceu o interesse nacional pela aparição, sob o bafejo da graça. Mas tinha também explicações naturais.
A França estava dividida do ponto de vista religioso e político. Havia católicos que se diziam liberais ou sociais. Eram os precursores do movimento que hoje semeia a desordem na Igreja, conhecido também como progressismo. Estavam conluiados com os propagandistas do igualitarismo libertino, laicista e anticatólico da Revolução Francesa de 1789.
Eles exploravam e favoreciam atritos sociais e queriam subverter a Igreja por dentro. Tornavam relativa sua moral e insistiam nas questões sociais que eles distorciam bastante.
Neste ponto ecoavam os argumentos dos socialistas, comunistas ou marxistas, dizendo por vezes se opor a eles. E outras vezes nem isso. Em política faziam uma convergência com uma democracia revolucionária, laicista, igualitária, imoral e visceralmente anticristã. Era a democracia filha da Revolução Francesa.
São Pio X condenou depois os erros desses maus católicos na Encíclica Pascendi Dominici Gregis, e especialmente na Carta Apostólica Notre Charge Apostolique.
Tais católicos liberais sentiram-se apanhados e denunciados pela mensagem de La Salette, no que eles tinham de mais oculto e revolucionário.
De outro lado, havia os católicos piedosos e autênticos, defensores de todas as formas de legitimidade. Estes, ao saberem da mensagem de La Salette, tiveram uma confirmação de tudo o que a fé e a fidelidade à Igreja lhes inspirava.
Os governos da época – monarquia ilegítima de Luís Felipe, segunda e terceira repúblicas, bem como o império de Napoleão III – eram considerados com horror pelos melhores representantes do catolicismo francês. Tais governos não ocultaram seu ódio contra La Salette. Sobretudo Napoleão III, cujo jogo falso ficara desvendado na aparição.
Assim a mensagem de Nossa Senhora incidiu na carne viva dos problemas religiosos, políticos e ideológicos da França. Mutatis mutandi, esses problemas eram análogos aos do mundo católico ocidental daquela época.
Comoção no clero e no povo

Os dois videntes narraram o acontecido ao Pe. Jacques Perrin, pároco de La Salette. Este, ouvindo o relato, comoveu-se até o pranto. Ele batia no peito, exclamando: “Meus filhos, estamos perdidos, Deus vai nos punir. Ah, meu Deus, foi a Santa Virgem que apareceu para vocês”.
Nessa hora o sino tocou para o início da missa. Ele então fez um sermão que emocionou vivamente os paroquianos.
Depois os videntes foram para suas famílias. Mélanie não o fez imediatamente, ficando ainda na casa dos patrões, mas sim Maximin. Separaram-se e não voltaram a se ver durante três meses.
Foi providencial, pois não puderam conversar entre si. Desse modo, familiares e conhecidos puderam comparar o que os dois diziam, independente um do outro, e comprovar que tudo concordava na perfeição, sem possibilidade de uma montagem das crianças.
Os patrões dos videntes os interrogaram no dia seguinte ao da aparição e lavraram um relato. O mesmo fez com Maximin o prefeito de La Salette, Pierre Peytard, dois dias depois do acontecimento.
Estes inquéritos foram os primeiros de uma longa série, que os videntes atravessaram airosamente. Uma comissão da cidade fez mais uma apuração em regra. Cada um dos membros redigiu um relatório do que os videntes disseram individualmente.
Esses relatórios iriam ter um papel imenso na divulgação inicial do ocorrido em La Salette.
A notícia espalhou-se como rastilho de pólvora por grande parte do país. Em pouco tempo toda a França já conhecia o fato sobrenatural e tomava posição a seu respeito. As pessoas disputavam cópias manuscritas dos interrogatórios, especialmente dos relatórios.
Cinco meses depois apareceu em Paris o primeiro livro sobre a aparição, e uma das publicações chegou a atingir 300.000 exemplares.
A despedida. Fim da aparição

Após comunicar a parte pública e a parte secreta da mensagem, Nossa Senhora andou para frente, passou ao lado dos dois e subiu uma ondulação de terreno sem olhar para eles. Eles correram atrás.
Os pés de Nossa Senhora apenas tocavam a fímbria das ervas, sem as dobrar. Tendo atingido o topo, Ela se deteve olhando com terna bondade os videntes. E começou a se elevar insensivelmente até a altura de um metro. Ficou ali apenas um instante, suficiente para olhar o céu, a terra, à sua direita e à sua esquerda.
Depois voltou-se para as crianças, pousou nelas seus olhos “tão doces, tão amáveis e tão bons, que julguei que ela me atrairia até seu interior, e parecia que meu coração se abria ao d’Ela”, afirmou Mélanie.
E num derradeiro adeus, Nossa Senhora voltou a dizer-lhes:
– “Pois bem, meus filhos, vós o fareis passar a todo o meu povo”.
Assim que acabou de pronunciar estas palavras, a luz que a rodeava tornou-se mais intensa, e foi pouco a pouco envolvendo e ocultando seu corpo virginal. A luz formou uma espécie de globo, que diminuía à medida que subia. Ascendeu suavemente em direção à direita e desapareceu do horizonte visual das crianças amadas.
Os dois ficaram ainda olhando longamente para o céu. Quando caíram em si, voltaram-se um para o outro. Não conseguiam pronunciar uma só palavra. Ora olhavam para o céu, ora para o chão ou em torno de si, para ver se ainda discerniam a bela dama. Nossa Senhora tinha partido.
Mélanie rompeu o silêncio:
– Deve ter sido, Mémin, o bom Deus ou a Santa Virgem de meu pai, ou talvez alguma grande santa.
– Ah, respondeu Maximin, se eu tivesse sabido, eu lhe teria pedido para me levar com Ela para o Céu.
Foi a única aparição de La Salette, e nela está tudo contido.
O sol começou a descer. As vacas pastavam tranqüilas. Mélanie quebrou seu bordão em dois e fez uma cruz, que enfiou no exato lugar onde Nossa Senhora esteve.
Mélanie e Maximin voltaram primeiro às casas dos seus patrões. Ali contaram tudo, menos o segredo, é claro. Os piedosos patrões ficaram comovidos e levaram os dois para ver o pároco de La Salette. Na hora de falar com o sacerdote, Mélanie ficou surpresa, pois estava falando em francês, língua que antes da aparição ela não dominava.
A parte pública da mensagem

Maximin conta que Nossa Senhora continuou, dizendo:
– Se eles se converterem, as pedras dos rochedos transformar-se-ão em trigo e as batatas serão encontradas já plantadas na terra.
Depois Ela nos perguntou:
– Meus filhos, vocês fazem bem as orações?
Nós dois respondemos:
– Não, minha senhora, não muito.
– Ah, meus filhos, é preciso rezá-las direito no fim do dia e pela manhã. Quando não tiverem tempo, rezem só um Pai Nosso e uma Ave-Maria. Quando tiverem tempo, é preciso rezar mais ainda. Só vão algumas mulheres idosas à missa, as outras trabalham o verão todo e vão à missa no inverno, mas só para não levar a sério a Religião. Na Quaresma eles vão ao açougue como cães.
Depois indagou:
– Meus filhos, vocês não viram o trigo estragado?
Eu respondi:
– Não minha senhora, nunca vi.
Então a bela dama replicou:
– Mas tu, meu filho, deves ter visto que uma vez perto de Coin, junto com teu pai, o homem disse a teu pai: vem ver meu trigo como se estraga. Vós fostes, e teu pai pegou duas ou três espigas de trigo nas suas mãos, esfregou-as e elas caíram reduzidas a pó. Depois retornastes, e estavas a meia hora de Corps, quando teu pai te deu um pedaço de pão, dizendo: pega meu filho, come este ano, pois não sei quem terá para comer no ano próximo, se o trigo continuar se estragando deste jeito.
Eu respondi:
– É bem verdade, minha senhora, mas eu não me lembrava.
Ela terminou seu arrazoado em francês, com estas palavras:
– Pois bem, meus filhos, vós o fareis passar a todo o meu povo.
Como aconteceu a transmissão do segredo para cada um dos videntes

Os anúncios da perda das colheitas e as mortes das criancinhas cumpriram-se fielmente e serviram como prova da autenticidade da aparição de Nossa Senhora e do segredo que Ela comunicou na referida aparição.
Foi nesta visão, que foi só uma, que Nossa Senhora transmitiu a cada um dos pastores uma mensagem que só deveria ser revelada doze anos depois, em 1858.
Maximin explicou como a bela dama passou o segredo. Embora conservasse o mesmo tom de voz “quando falava a Mélanie, eu não ouvia nada. E quando Ela me confiava seu segredo, Mélanie ficava completamente surda”.
Cada um viu que Nossa Senhora movia os lábios falando ao outro, mas nada entendeu.
Após confiar um segredo a cada um, os dois voltaram a ouvir tudo.
Nossa Senhora mudou de idioma para ser melhor entendida pelos videntes

Quando Nossa Senhora indicou aos videntes que as colheitas se estragariam em sinal do cumprimento da profecia, incluindo as batatas, Mélanie não entendeu a palavra batatas, pois Nossa Senhora falava em francês.
As crianças não o entendiam bem, pois no dia-a-dia usavam o “patois” da região, um dialeto do francês misturado com muitos particularismos regionais.
Nossa Senhora percebeu a dificuldade e disse:
“Ah! vocês não entendem o francês, meus filhos. Vou vos falar de outro modo”.
E seguiu retomando em “patois” o que já tinha dito.
Então Maximin exclamou:
“Oh! não, minha senhora, isso não pode ser verdade!”.
“Sim, meu filho, você vai ver.”
E prosseguiu seu arrazoado:

“Que aquele que tem trigo não o semeie, senão os animais vão comê-lo. E se ainda brotarem alguns pés, na hora de batê-lo ele vai se desfazer em pó.
“Virá uma grande fome. Antes que venha, as criancinhas de menos de sete anos apresentarão um tremor e morrerão nos braços das pessoas que as cuidam. Os maiores farão penitência com a fome.
“As uvas se estragarão e as nozes se arruinarão”.
Enquanto fazia estes dolorosos anúncios, Nossa Senhora não cessava de derramar abundantes lágrimas.
Estes anúncios cumpriram-se fielmente na hora da colheita e serviram como prova da autenticidade da aparição e do segredo que Nossa Senhora comunicou naquela ocasião.
Sinal da veracidade da visão: as colheitas se estragarão
Nossa Senhora em La Salette deu uma prova para constatar a autenticidade da aparição e da seriedade de seus anúncios:
“Também os carreteiros – continuou Nossa Senhora – não sabem fazer outra coisa senão blasfemar envolvendo o nome do meu Filho. São duas coisas que tornam tão pesado o seu braço.
“Se a colheita se estragar, será por vossa causa. Eu vos fiz ver isso no ano passado com as batatas. Mas vós não tendes prestado atenção. Pelo contrário, quando as encontrais estragadas, jurais e blasfemais o nome de meu Filho. Elas vão continuar a se estragar, até que no Natal já não as haverá mais”.
Nestas palavras Nossa Senhora se referia a acontecimentos conhecidos pelas crianças.
De fato, na região e na França houvera uma quebra de safra, que até serviu de pretexto para motins populares.
Nossa Senhora esclarecia aos videntes que a verdadeira causa dessa desgraça eram dois pecados especiais.
Em primeiro lugar, a violação do mandamento que manda repousar e não trabalhar aos domingos.
Em segundo lugar, pelo vício generalizado da blasfêmia. E se os homens não cessassem essas ofensas, a situação continuaria piorando até o fim do ano.
Nossa Senhora tenta sustar o braço de Nosso Senhor
Os videntes desceram logo a pouca distância que os separava da Dama. Ao mesmo tempo Nossa Senhora se pôs em pé e deu alguns passos em direção às crianças. Ela pairava uns 10 centímetros acima da relva, e começou dizendo:
“Vinde meus filhos, não tenhais medo, estou aqui para vos anunciar uma grande notícia. Se meu povo não quiser se submeter, fico obrigada a deixar o braço de meu Filho golpear. Ele é tão pesado e tão grave, que não posso mais segurá-lo.
“Há muito que sofro por vossa causa. Se quero que meu Filho não vos abandone, estou obrigada a rezar a Ele sem cessar, por vossa causa. Mas vós não fazeis caso. Eu vos dei seis dias para trabalhar e reservei para mim o sétimo. Porém não o quereis consagrar-me. É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho”.
NOSSA SENHORA, RAINHA DESTRONADA

Uma dama, ou uma bela dama. Assim ficou gravada nos meninos a imagem da Santíssima Virgem. Uma grande senhora. Mélanie prestou muita atenção nas roupas e símbolos que Ela usava.
Daí foi possível aos artistas elaborar as imagens de Nossa Senhora no local da aparição. Elas serviram de modelo para as outras em todo o mundo.
Era uma senhora coroada de flores, que Mélanie e Maximin encontraram sentada sobre o paraíso, chorando com o rosto nas mãos. Nossa Senhora, embora merecendo todos os tronos da Terra, parecia só ter encontrado aquele florido banquinho de pedra para se sentar.
Estava como uma rainha destronada, que percorre seu reino em prantos, à procura de quem queira lhe ser fiel.
Os pastorinhos se aproximaram com entusiasmo e candura. Não tinham idéia do que ouviriam. Muito do que Nossa Senhora tratou nem sequer tinha passado pela suas infantis inteligências até aquele momento.
Nossa Senhora desvenda um imenso cenário
As palavras de Nossa Senhora tinham um efeito saliente: produziam o que significavam. As crianças viam com os olhos o que elas queriam dizer. Como se o imponente anfiteatro do local celeste tivesse se desvanecido, e em seu lugar houvesse um imenso telão onde os pastores viam acontecer o que Nossa Senhora dizia.

Aí contemplavam desde as menores coisas até o próprio Deus.
Mélanie explicou: “A Santa Virgem pronunciava todas as palavras, seja dos segredos, seja das regras. Eu só teria podido adivinhar ou penetrar no resto do que Ela dizia com palavras, porque um grande véu tinha sido levantado.
“Os acontecimentos se desvendavam ante meus olhos e minha imaginação, è medida que Ela pronunciava cada palavra. E uma grande cena acontecia diante de mim. Eu via os acontecimentos, as mudanças de atitude na Terra, via Deus imutável na sua glória olhando para a Virgem, que se abaixava para falar a dois pastores. (…)
“Essas pessoas que dizem que a Santíssima Virgem não fala tanto, fariam bem em compreender – e teriam compreendido melhor do que ensinam os livros, se é que eles ensinam – que as palavras do Céu não são somente palavras.
“Quer dizer, a pessoa que as escuta não fica na letra, na palavra, mas cada palavra se desenvolve. E que a ação futura tem lugar no momento, (…) entra-se no espírito das cenas que são expostas. Se é um quadro triste, fica-se triste, se é alegre, sente-se alegria. Vêm-se os complôs que se fazem. Vêm-se os reis da Terra, cada um dos quais tem vários anjos da guarda. A gente os vê se agitar, fazer, desfazer.
“Vê-se a inveja de uns, a ambição de outros, etc., etc. E tudo isso numa só palavra que escapava dos lábios d’Aquela que faz tremer o inferno, a Virgem Maria”.
E ainda Mélanie: “Nossas redações, por assim dizer, exprimem muito e ao mesmo tempo muito pouco. É impossível dizer tudo. (…) Sou uma grande ignorante, mas se fosse uma letrada das mais sábias, não poderia escrever nada das coisas do alto, porque as expressões dos grandes sábios não chegam à sombra da verdade das expressões usadas lá em cima para se falar.
“A linguagem intuitiva e imediata de lá é um movimento de alma, anelos de alma, impulsos de alma, e os olhos vivos da alma se compreendem”.
E acrescentou: “Eu via o mundo inteiro, eu via o olho do Eterno. Era um quadro em ação. Eu via o sangue dos que eram mortos e o sangue dos mártires”.
A luz e a voz de Nossa Senhora

Nossa Senhora em La Salette apareceu envolta numa grande luz. Intensissima como a do astro solar, mas não queimava os olhos. Ela tinha graus, ou como que círculos concêntricos de intensidade. Essa luz envolveu os videntes.
“A Santa Virgem – explicou Mélanie – estava envolta em duas claridades.
“A primeira delas, mais próxima da Santíssima Virgem, chegava até nós.
“A segunda se estendia um pouco mais em volta da bela Dama, e nos encontrávamos nela.
“Esta luz era imóvel, não cintilava, porém bem mais brilhante que nosso pobre sol da Terra. Essas luzes não faziam mal aos olhos e em nada fatigavam a vista.
“Além de todas essas luzes, de todo esse esplendor, do corpo da Santa Virgem e de seus trajes saíam feixes de luz.
“A voz da bela Dama era suave. Encantava, fascinava, fazia bem ao coração. Saciava e aplainava todos os obstáculos. Parecia ter querido me alimentar de sua bela voz. Meu coração parecia dançar ou querer ir ao seu encontro para se derreter nela”.
Para Maximin o resplendor e a voz de Nossa Senhora era como “uma luz bem diferente de todas as outras. Ela ia diretamente ao meu coração, sem passar por meus ouvidos. Entretanto, com uma harmonia que os mais belos concertos não poderiam reproduzir. Digo com um sabor que os licores mais doces não conseguem ter”.
As lágrimas de Nossa Senhora em La Salette

Mélanie descreveu também o pranto de Nossa Senhora:
“A Santa Virgem chorava quase o tempo todo enquanto falava. Suas lágrimas corriam lentamente até os joelhos e desapareciam como faíscas de luz. Eram brilhantes e cheias de amor. Eu desejava consolá-la, para que não chorasse mais.
“Mas me parecia que tinha necessidade de mostrar suas lágrimas, para melhor evidenciar seu amor esquecido pelos homens. Eu quis me jogar nos seus braços e dizer-lhe: Minha mãe querida, não choreis! Quero vos amar por todos os homens da terra.
Mas parece que Ela dizia: Há tantos que não me conhecem.
“As lágrimas de nossa terna mãe, longe de diminuir seu ar de Majestade, Rainha e Senhora, pareciam embelezá-la, torná-la mais bela, mais poderosa, mais cheia de amor, mais maternal, mais encantadora. Eu talvez tivesse ingerido suas lágrimas, que faziam meu coração estremecer de compaixão e de amor.
“É compreensível que vendo chorar uma mãe, e uma tal mãe, se queira empregar todos os meios imagináveis para a consolar, para transformar suas dores em alegria”.
As correntes e o crucifixo no peito de Nossa Senhora

Em La Salette, Nossa Senhora apareceu usando uma Cruz e uma corrente todas especiais.
Mélanie, ela própria nos contou como eram:
“A Santa Virgem tinha uma belíssima cruz pendurada no pescoço. Essa cruz parecia ser dourada, mas digo dourada para não dizer que era folheada a ouro (…). Sobre esta cruz brilhantíssima havia um crucificado.
“Era Nosso Senhor com os braços estendidos sobre a cruz. Quase nas duas extremidades da cruz, de um lado havia um martelo e do outro uma torquês. A cor da pele do crucificado era natural, mas brilhava com grande fulgor. E a luz que emanava de todo seu corpo parecia dardos brilhantíssimos que perpassavam meu coração de desejo de me fundir n’Ele.
“Por vezes Cristo parecia morto. Ele tinha a cabeça inclinada e o corpo estava afastado, como a ponto de cair, se não fosse retido pelos pregos que o seguravam na cruz.
“Outras vezes Cristo parecia vivo. Tinha a cabeça erguida, os olhos abertos, e parecia estar na cruz por vontade própria. E em algumas ocasiões parecia falar”.
Geralmente interpreta-se o martelo como símbolo daqueles que pela sua má vida, pelo menosprezo da Lei divina e até pelo ódio, pregam ainda mais Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz. Nesta concepção a torquês representa aqueles que, pelas suas boas ações, diminuem as dores de Nosso Senhor, e dentro de suas possibilidades tentam despregá-lo da cruz.
“A Santíssima Virgem – lembra ainda Mélanie – tinha duas correntes, uma um pouco mais larga que a outra. Da mais estreita estava pendurada a cruz à qual me referi. Essas correntes (é preciso dar-lhes o nome de correntes) eram raios de glória de grande brilho, que não é fixo mas faiscante”.
O indescritível olhar de Nossa Senhora

Mélanie descreveu assim o olhar de Nossa Senhora, como ela viu na aparição:
“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna mãe, não podem ser descritos por língua humana. Seria preciso um serafim, seria preciso a linguagem do próprio Deus, desse Deus que criou a Virgem Imaculada, obra-prima de sua onipotência.
“Os olhos da augusta Maria pareciam mil vezes mais belos que os brilhantes, os diamantes, as pedras preciosas mais procuradas. Eles brilhavam como sóis. Eram doces, feitos da própria doçura, luminosos como um espelho. Em seus olhos via-se o Paraíso, eles atraíam a Ela.
“Ela parecia querer dar-se e atrair. Quanto mais eu a olhava, mais a queria ver. Quanto mais a via, mais a amava com todas minhas forças.
“Os olhos da bela Imaculada eram como a porta de Deus, de onde se via tudo que pode inebriar a alma. Quando meus olhos se encontravam com os da Mãe de Deus e minha, sentia dentro de mim uma feliz revolução de amor, uma promessa de amá-la e de me desfazer de amor.
“Quando nos olhávamos, nossos olhos conversavam à sua maneira. Eu a amava tanto, que teria querido osculá-la entre os olhos. Eles enterneciam minha alma e pareciam atraí-la e a fundir com a minha. Seus olhos inculcaram um suave tremor em todo o meu ser. Eu temia qualquer movimento que lhe pudesse ser desagradável, por menor que fosse.
“A simples visão dos olhos da mais pura das virgens teria bastado para tornar-se o céu de um bem-aventurado. Teria bastado para que uma alma se unisse plenamente com a vontade do Altíssimo, permanecendo assim em meio aos eventos da vida mortal. Teria bastado para que esta alma praticasse contínuos atos de louvor, de ação de graças, de reparação e de expiação.
“Esta simples visão concentra a alma em Deus e a torna como uma morta viva que olha todas as coisas da Terra, até as que lhe parecem mais sérias, como se fossem brinquedos de crianças. Ela não desejaria senão ouvir falar de Deus e do que toca na sua glória”.
O vestido de Nossa Senhora

Mélanie e Maximin se encontravam nesse momento num local mais alto, e foram descendo, de início intrigados e depois maravilhados. Maximin continua:
“Embora estivéssemos a uma distância de uns vinte metros, ouvimos uma voz doce, como se saísse de uma boca próxima de nossos ouvidos, que dizia:
– Avançai meus filhos, não tenhais medo. Estou aqui para vos anunciar uma grande notícia.
O temor respeitoso que nos tinha contido desvaneceu-se. Corremos até ela, como indo a uma boa e excelente mãe”.
O vestido de Nossa Senhora
Mélanie sempre foi mais meticulosa nas suas descrições. Deixou registrado com mais pormenores o que viu e ouviu. Ela conta:
“O vestido da Santíssima Virgem era branco prateado e todo brilhante. Não tinha nada de material, estava composto de luz e de glória variante e cintilante. Na terra não há expressões nem comparação para usar. (…)
“A Santíssima Virgem tinha um avental amarelo. Por que digo amarelo? Ela tinha um avental mais brilhante que muitos sóis juntos. Não era de um pano material, estava composto de glória, e esta glória era cintilante e de uma beleza encantadora. Tudo na Santa Virgem me atraía poderosamente e me inclinava a adorar e a amar meu Jesus em todos os estados de sua vida mortal.
“A coroa de rosas que ela tinha sobre a cabeça era tão bela, tão brilhante, que não dá para se fazer uma idéia. As rosas de diversas cores não eram da terra. Era uma reunião de flores que rodeava a cabeça da Santíssima Virgem com forma de coroa. Mas as rosas mudavam e se substituíam, porque do centro de cada rosa saía uma luz tão bela, que fascinava e tornava as rosas de uma beleza esplendorosa.
“Da coroa de rosas subiam raios de ouro e uma grande quantidade de outras florinhas misturadas com brilhantes. O todo formava um belíssimo diadema, que brilhava sozinho mais do que nosso sol na Terra.
“Os sapatos (pois é preciso dizer sapatos) eram brancos, mas de um branco prateado, brilhante. Havia rosas em torno deles. Essas rosas eram de uma beleza fulgurante. E do centro de cada rosa saía uma chama de luz muito bonita e muito agradável de se ver. Sobre os sapatos havia uma fivela de ouro, não do ouro da Terra, mas de ouro do paraíso”.
Mélanie contou que Maximin tentou pegar uma destas rosas que estavam sob Nossa Senhora, mas nada conseguiu.

BIOGRAFIA DOS CONFIDENTES DE LA SALETTE



Maximino Giraud
Maximino Giraud nasceu em Corps, aos 26 de agosto de 1835. Sua mãe, Ana Maria Templier, é originária da região. Seu pai Germano Giraud é proveniente de uma região próxima. Maximino tinha dezessete meses quando sua mãe morreu, deixando também uma menina de oito anos, Angélica. Pouco depois o Sr. Giraud casa novamente. Maximino foi crescendo sem rumo. O pai, armador de carroças, vive na oficina ou no botequim. Sua esposa não tem atração nenhuma pelo garoto, vivo, descuidado, que não consegue ficar em casa, mas vive de cá para lá, nas ruas de Corps, atrás das diligências e carroças, ou andando pelas estradas com uma cabra e um cão. O garoto é facilmente arteiro, com um olhar vivo sob uma negra cabeleira desgrenhada, e uma língua solta... Durante a Aparição, enquanto a Bela Senhora se dirige a Melânia, faz girar o chapéu no alto do cajado, ou com outra ponta, brinca com as pedrinhas em torno dos pés da Bela Senhora. - "Nenhuma a tocou!", responderá ele, espontaneamente, a seus inquiridores. É cordial, desde que se sinta amado. Malicioso quando se quer implicar com ele. Sua adolescência foi difícil. Nos três anos seguintes à Aparição, perde seu meio-irmão João Francisco, a madrasta Maria Court, e seu pai o carpinteiro Geraud. É posto sob a tutela do irmão de sua mãe, o Tio Templier, homem rude e interesseiro. Na escola, sua evolução nos estudos é modesta.
A Irmã Santa Tecla que o acompanha de perto, chama-o de "o eterno movimento". Acrescentem-se a isso, as pressões exercidas pelos peregrinos e curiosos. Nessas circunstâncias, alguns iluminados legitimistas, partidários de um pretenso filho de Luís XVI, querem manipulá-lo para fins políticos. Maximino procura ludibriá-los. Contra os conselhos do Pároco de Corps e desrespeitando a interdição do Bispo de Grenoble, eles conduzem o adolescente a Ars. Maximino não gosta da companhia deles, mas aproveita a ocasião para conhecer este local. São recebidos pelo imprevisível Pe. Raimundo que, logo de início, trata o fato de La Salette como trapaça, e os videntes como mentirosos. Durante a manhã de 25 de setembro de 1850, o Cura d'Ars encontra-se por duas vezes com Maximino, uma na sacristia, e outra no confessionário, mas sem confissão. Que poderá ter-lhe contato esse adolescente exasperado? O resultado é que, durante anos, o santo Cura d'Ars duvidou e sofreu. Depois do mandamento de 1851 ele remeterá seus interlocutores ao julgamento emitido pelo Bispo responsável. Demorou alguns anos ele mesmo aceitar o fato e reencontrar a paz. Quanto a Maximino, mesmo afirmando que jamais se desmentiu, terá muitas dificuldades em justificar ser comportamento. Basta enumerar os locais por onde passou para se avaliar a que ponto o jovem Maximino viveu de cá para lá: do seminário menor de Grenoble (Le Rondeau) à Grance Chartreuse, do tratamento médico em Seyssin a Roma, de Dax a Aire-sur-Adour a Vésinet, depois do colégio de Tonnerre a Petit Jouy em Josas perto de Versailles e a Paris. Seminarista, empregado num asilo, estudante de medicina falhando ao bacharelado, trabalha numa farmácia, engaja-se como guarda-pontíficio, rescindindo o contrato após seis meses e voltando a Paris. O jornal "La Vie Parisiense" atacou La Salette e os dois videntes.
Maximino apresenta queixa e obteve uma retificação. Em 1866 publica um opúsculo: -"Minha profissão de fé a respeito da Aparição de Nossa Senhora de La Salette". Nesse período, o Sr. e a Sra. Jourdain, um casal devotado ao serviço de Maximino, assegura-lhe certa estabilidade e paga suas dívidas a ponto de se arruinar. Maximino aceita então associar-se a um comerciante de licores que faz uso de usa notoriedade para aumentar a venda de seus produtos. O imprevidente Maximino não encontra ali satisfação. Em 1870 foi mobilizado a servir no Forte Barrau, em Grenoble. Por fim, volta a Corps onde o casal Jourdain vem a seu encontro. Os três vivem pobremente, ajudados pelos padres do Santuário, com a aprovação do Bispado. Em novembro de 1874, Maximino sobe ao local de peregrinação de La Salette. Diante de um auditório particularmente atento e comovido, apresenta a narrativa da Aparição como o fizera desde o primeiro dia. Será a última vez. A 2 de fevereiro de 1875, vai igualmente pela última vez, à Igreja Paroquial. Na tarde de 1o. de março, Maximino se confessa, recebe a Eucaristia bebendo um pouco de água de La Salette para engolir a hóstia. Cinco minutos mais tarde entrega sua alma a Deus. Não completara quarenta anos ainda. Seus restos mortais repousam no cemitério de Corps, mas seu coração se encontra na Basílica de La Salette, perto do teclado do órgão. Era sua última vontade, para assim marcar seu apego à Aparição: - "Creio firmemente, mesmo a preço de meu sangue, na célebre aparição da Santíssima Virgem sobre a Montanha de La Salette, a 19 de setembro de 1846. Aparição que defendi por palavras, por escritos e por sofrimentos... Com este sentimento dou aqui meu coração a Nossa Senhora de La Salette".
A 19 de setembro de 1855, Dom Ginoulhiac, novo Bispo de Grenoble, assim resumia a situação:- "A missão dos pastores chegou ao fim, a da Igreja começa". Inúmeros são hoje os homens e mulheres de todas as raças e países, que encontraram na mensagem da Salette o caminho da conversão, o aprofundamento da própria fé, o dinamismo para a vida cotidiana, as razões do próprio engajamento com e no Cristo a serviço dos outros.
Melânia Calvat
Melânia nasceu em Corps, aos 7 de novembro de 1831, no seio de uma família numerosa. O pai, Pedro Calvat, conhecido como serrador, na verdade aceita qualquer tipo de trabalho. A mão, Julia Barnaud, lhe dará dez filhos. Melânia é a quarta. A família é tão pobre que às vezes, as crianças eram mandadas mendigar. Criança ainda, Melânia é "empregada" para tomar conta de vacas junto a camponeses da região. Desde a primavera de 1846 até o fim do outono, ei-la na casa de João Batista Pra, em Ablandins, um dos pequenos povoados da aldeia de La Salette. O vizinho de Pra se chama Pedro Selme. É ele que contratou por uma semana somente, o irrequieto Maximino para substituir um pastor adoentado. Diante desse extrovertido, Melânia, tímida e taciturna, se mantém reservada. No entanto, as duas crianças têm algo em comum..., sem assim se pode falar! Nascidas em Corps, onde residem as respectivas famílias, não se conhecem porem, dadas as prolongadas ausências da pastora. Ambos falam o dialeto local, e só conhecem algumas palavras do francês. Nem escola, nem catecismo. Não sabem ler nem escrever. O pai de Melânia vive à procura de serviço. A mãe anda sobrecarregada de trabalho por causa da família numerosa. Não há lugar para o afeto, e se há, é muito pouco. No dia da Aparição, o que caracteriza Melânia e Maximino é a pobreza: pobres de bens, pobres de saber, pobres de afeição. O fato é que são inteiramente dependentes. São como "cera virgem" que o evento marcará definitivamente com seus sinais, respeitando porém suas personalidades. Melânia, na verdade, é muito diferente de seu companheiro Maximino. Vive na casa de estranhos e só convive com a própria família durante os difíceis meses de inverno, quando a fome e o frio sobrevêm. Não é de estranhar pois que seja tímida e introvertida. - "Suas respostas eram simplesmente Sim ou Não", afirmava seu patrão, João Batista Pra. Depois do fato, ela responderá com clareza e simplicidade às perguntas relativas ao evento de La Salette. Permanece durante quatro anos junto às Irmãs da Providência. Tem pouca memória e ainda menos aptidões que Maximino, para os estudos.
A partir de novembro de 1847, sua diretora já temia que Melânia "não tirava proveito da posição que o evento lhe havia dado". Tornando-se postulante e, a seguir, noviça nessa mesma Congregação, objeto de atenção e condescendência da parte de numerosos visitantes, ela se abstêm às próprias opiniões. Por isso, o novo Bispo de Grenoble, reconhecendo, embora, sua piedade e devotamento, recusa-se a admiti-la aos votos "para formá-la... na prática da humildade e da simplicidade cristãs". Infelizmente, Melânia dá ouvidos a pessoas "inquietas e doentias", imbuídas de profecias populares, de teorias pseudo-apocalípticas e pseudo-místicas. Isso a marcará pelo resto da vida. Para dar crédito a tais afirmações, ele as relê à luz do segredo que recebeu da Bela Senhora. O mais simples exame do que afirma e escreve, mostra já as diferenças irredutíveis aos sinais e palavras de Maria em La Salette. Melânia, seus problemas e fantasias, tornaram-se o centro de seu discurso. Através de suas profecias, acerta as contas com aqueles que opõem alguma resistência a seus projetos. Assim manisfesta sua recusa à sociedade ou meio ambiente em que encontra problemas. Recria um passado imaginário onde são exorcizadas as frustrações de que foi vítima na infância. Já em 1854, Dom Ginoulhiac escrevia:- "As predições!atribuídas a Melânia... não têm fundamento, não têm importância em relação ao Fato de La Salette... são posteriores a esse mesmo Fato e nenhuma ligação têm com ele". E observa: - "Deixou-se a maior liberdade às duas crianças para se desmentirem, e elas não mudaram seu falar a respeito da verdade do fato de La Salette". Nessa ótica, Dom Ginoulhiac proclamará a 19 de setembro de 1855, sobre a Santa Montanha: "A missão dos pastores findou, e da Igreja começa".
Infelizmente, Melânia prosseguirá em suas divagações proféticas, orquestradas mais tarde pelo talento fulgurante de Leon Bloy ao criar uma corrente "melanista" que pretende se ligar a La Salette, mas que não tem outra base senão as incontroláveis afirmações de Melânia. Está muito longe dos fundamentos históricos da Aparição. Quanto ao conteúdo, apesar do verniz religioso, nada tem praticamente a ver com as verdades da fé da Igreja, relembradas por Maria em La Salette. deixa-se o campo da fé para ir-se ao campo instável, contestável e estéril das crendices. Esse tipo de literatura distancia da fá em vez de favorecê-la. Em 1854, um sacerdote inglês leva Melânia à Inglaterra. No ano seguinte, ela entre no Carmelo de Darlington, onde faz profissão temporária em 1856, deixando-o porém em 1860. Faz outra tentativa junto às Irmãs da Compaixão, de Marselha. Depois de uma estadia na casa delas em Cefalônia, na Grécia, e de uma passagem pelo Carmelo de Marselha, retorna às Irmãs da Compaixão por pouco tempos. Depois de alguns dias em Corps e em La Salette, estabelece-se na Itália, em Castellamare di Stabia, perto de Nápoles. Alik permanece durante dezessete anos, escrevendo seus "segredos" e a regra para uma eventual fundação. O Vaticano solicita ao Bispo da Diocese que a proíba de publicar este tipo de escritos, mas ela procura obstinadamente outros apoios e o imprimatur, até mesmo junto ao chefe do Sacro Palácio, Dom Lepidi. Isso não significa uma aprovação, nem mesmo velada.
Além disso, a autoridade a que Melânia se refere não é competente. Depois de uma estadia no sul, em Cannes, reencontramos Melânia em Chalon-sur-Saône onde, sempre em busca de uma fundação, sustentada pelo Cônego de Brandt d'Amiens, suscita uma querela com Dom Perraud, Bispo de Autum. A Santa Sé entra na questão e dá razão ao Bispo. Em 1892, retorna à Itália, perto de Lecce, depois em Messina, na Sicília, mediante convite do Cônego Anibal di Francia. Depois de alguns meses no Piemonte, estabelece-se na casa do Pe. Combe, Pároco de Diou, no Allier, um sacerdote apaixonado por profecias político-religiosos. Ali concluí uma autobiografia, no mínimo romanceada, onde reinventa para si mesma, uma infância extraordinária, mesclada de considerações pseudo-místicas, reflexo de suas próprias fantasias e das quimeras de seus correspondentes.
As mensagens que estão Melânia emite e que ligar a La Salette, nada em verdade, têm a ver com seu testemunho primitivo a respeito da Aparição. Aliás, quando se toca no fato de 19 de setembro de 1846, ela reencontra a simplicidade e a clareza de sua primeira narrativa, em plena concordância com a de Maximino. E isso, de maneira constante. Assim foi quando de sua passagem sobre a Santa Montanha, a 18 e 19 de setembro de 1902. Retorna ao sul da Itália, em Altamura, perto de Bari. Ali morre aos 14 de dezembro de 1904. Repousa sob uma lápide de mármore na qual um baixo relevo mostra a Virgem acolhendo a pastora de La Salette, no céu. Uma coisa é certa: ao final de todas as suas andanças, há um ponto sobre o qual Melânia jamais mudou: o testemunho que, com Maximino, ela deu na tarde de 19 de setembro de 1846, na cozinha de João Batista Pra, em Ablandins, e durante toda a investigação conduzida por Dom Felisberto de Brillard, retomada e confirmada pela de Dom Ginoulhiac. Numa vida difícil, Melânia permaneceu pobre e piedosa, fiel sempre a seu primeiro testemunho.

8.12.08

Nossa Senhora da Conceição


Nossa Senhora da Conceição

Muitos séculos antes de a Igreja Católica proclamar o dogma da Imaculada Conceição de Maria, o povo reconhecia a pureza da Mãe de Deus, concebida sem a mancha do pecado original, e celebrava sua festa a 8 de dezembro.
Segundo a tradição Nossa Senhora apareceu a várias pessoas confirmando a sua Conceição Imaculada e, após a proclamação do dogma pelo santo Padre Pio IX, Maria Santíssima deu-se a conhecer em Lourdes a Bernadette Soubirous dizendo: - “Eu sou a Imaculada Conceição”.Em Portugal, Nossa Senhora da Conceição possuía grande número de devotos quando seu culto foi oficializado por D. João IV, primeiro rei da dinastia de Bragança, que fora aclamado a 1º de dezembro de 1640, data em que se iniciava a oitava da festa da Imaculada Conceição. Seis anos depois, com a aprovação das Cortes de Lisboa, ele dedicou à Virgem Imaculada o reino português. Em todo o território lusitano, assim como em suas colônias, a festa da Imaculada Conceição de Maria tornou-se oficial e obrigatória.Características: Nossa Senhora, sobre o globo terrestre, esmaga com os pés uma cobra, símbolo do pecado original. Ela está de mãos juntas em atitude de oração e tem os cabelos longos caídos sobre os ombros. Usa uma túnica branca e um manto azul, e muitas vezes se apresenta com uma coroa real. Sob seus pés aparece geralmente um crescente de lua sendo que às vezes a Senhora pisa sobre ele e a cobra envolve a terra. Em algumas imagens, sob os pés da Virgem surgem cabeças de anjos.A lua que aparece quase sempre sob os pés da Senhora da Conceição simboliza a substância passiva, que guarda em seu seio os raios do Sol. Por esse motivo é também o símbolo da Maria, que guardou em seu seio Jesus, o Deus Encarnado, a Luz Divina.(retirado de:

Em 25/03/1646,
João IV de Portugal fez uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a Restauração da Independência de Portugal em relação a Espanha. Dirigiu-se à igreja de Nossa Senhora da Conceição, que declarou padroeira e rainha de Portugal. A partir dessa data, mais nenhum rei português usou coroa na cabeça, por se considerar que só a virgem tinha esse direito. Nos quadros onde aparecem reis ou rainhas, a coroa está pousada ao lado, sobre uma mesa, num tamborete ou almofada de cetim.









CONSAGRAÇÃO DE PORTUGAL A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO




Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou el-rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não foi D. João IV o primeiro monarca português que colocou o reino sob a protecção. da Virgem, apenas tornou permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora, como o seu esforçado companheiro D. Nuno Alvares Pereira levantava a Santa Maria o convento do Carmo. Foi por provisão de 25 de Março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça, as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por 12$000 réis e as de prata por 600 réis. Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memoria das medalhas, etc., consta do registo da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II. Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas portuguesas. Reverso: TUTELARIS REGNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário. O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo papa Pio IX em 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI sintetiza o culto que em Portugal sempre teve essa crença antes de ser dogma. Em 8 de Dezembro de 1904 lançou-se em Lisboa solenemente a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário da definição do dogma. Ao acto, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e autoridades, estiveram também representadas muitas irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da actual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.






SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO EM PORTUGAL




O Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é também conhecido por Solar da Padroeira, por nele se encontrar a imagem de Nossa Senhora da Conceição (manifestação), padroeira de Portugal. A igreja, que é simultaneamente Matriz de Vila Viçosa, fica situada dentro dos muros medievais do castelo da vila, não se podendo porém precisar a data exacta da sua fundação, sendo que a existência da matriz é já assinalada na época medieval. O edifício actual resulta da reforma levada a cabo em 1569, reinando D.Sebastião, sendo um amplo templo de três naves, onde o mármore regional predomina como material utilizado na construção. Segundo a tradição, a imagem da padroeira terá sido oferecida pelo Condestável do Reino, D.Nuno Álvares Pereira, que a terá adquirido em Inglaterra. A mesma imagem teve a honra de, por provisão régia de D.João IV, referendada em cortes gerais, ter sido proclamada Padroeira de Portugal, em 25 de Março de 1646. A partir de então não mais os monarcas portugueses da Dinastia de Bragança voltaram a colocar a coroa real na cabeça. A notável imagem, em pedra de ançã, encontra-se no altar-mor da igreja, estando tradicionalmente coberta por ricas vestimentas (muitas delas oferecidas pelas Rainhas e demais damas da Casa Real) . Ainda em 6 de Fevereiro de 1818 o Rei D.João VI concedeu nova benesse ao Santuário, erigindo-o cabeça da nova Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, agradecendo à Padroeira a resistência nacional às invasões francesas. Neste Santuário nacional estão sediadas as antigas Confrarias de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e dos Escravos de Nossa Senhora da Conceição. O Papa João Paulo II visitou este Santuário durante a sua primeira visita a Portugal, em 14 de Maio de 1982. A grande peregrinação anual ao Santuário de Vila Viçosa celebra-se a 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira Principal de Portugal. Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi também declarada padroeira da Arquidiocese de Évora. É actualmente reitor deste Santuário o Padre Mário Tavares de Oliveira.

25.11.08

Nossa Senhora dos Milagres de Caacupé


08 de setembro (Festa Mariana)


(Nossa Senhora dos Milagres de Caacupé ou Virgem Azul do Paraguai - Imagem original)Maria sabe que só os olhos do Pai vêem no segredo e ultrapassam a porta do coração de cada ser humano.Caacupé é uma palavra guaraní que significa "detrás dos montes" e nome da bela cidade da Cordilheira dos Altos, no Paraguai. Situada a cinqüenta e três quilômetros da capital Assunção, possuí uma das mais lindas paisagens do país e é considerada a Capital Espiritual da República, porque na sua Basílica se venera a Virgem de Caacupé, padroeira da nação. Segundo a tradição a cidade nasceu em torno desta devoção mariana. Consta que em 1600, um índio convertido pelos franciscanos, exímio escultor, vivia numa pequena aldeia próxima do povoado de Tabotí. Certo dia ele andava pelas montanhas quando foi capturado pelos temidos índios Mbayes, uma tribo ainda pagã. Mas conseguiu escapar e escondeu-se atrás de um gigantesco tronco. Nestes momentos de aflição e angústia, rezou com fervor à Virgem Imaculada para sair vivo dalí. Enquanto esperava prudentemente o tempo passar, esculpiu duas imagens da Virgem Maria: uma grande para colocar na igreja de Tabotí e uma menor para sua devoção pessoal. Durante a grande enchente do Lago Tapaicuá, em 1603, todo o vale de Pirayú foi inundado e a força das águas arrastou tudo por onde passava. Surpresos, os habitantes da pequena aldeia e o índio escultor trataram de retirar as crianças, os velhos e os mais fracos. Depois não conseguiram salvar mais nada, nem mesmo a pequena imagem de Nossa Senhora que viram ser levada pela correnteza. Quando as águas recuaram, eles pensaram em abandonar o local, pois as casas estavam quase destruídas. Entretanto desistiram ao constatar que a imagem da Santíssima Virgem milagrosamente voltara ao mesmo lugar. Os habitantes reconstruíram a aldeia e começaram a propagar o culto de Nossa Senhora dos Milagres. Outro índio, carpinteiro de profissão, construiu uma pequena capela onde a imagem milagrosa foi colocada no altar, e passou a ser cultuada com o nome de Nossa Senhora dos Milagres de Caacupé. Ao longo do tempo essa igreja sofreu várias reformas e ampliações, ganhou vários anexos e chegou à arquitetura do atual Santuário mariano. Nossa Senhora dos Milagres de Caacupé é venerada anualmente no dia 08 de setembro. A população lhe dedica uma gratidão tão grande que a padroeira é carinhosamente chamada de Virgem Azul do Paraguai. Não existe nenhum registro histórico sobre a imagem maior cultuada na igreja de Tabotí, talvez tenha sido levada e destruída pelos índios Mbayes, num dos saques que fizeram contra esse templo.A identidade e o paradeiro do índio cristão escultor permanecem incertos

24.11.08

Ave Maria de um protestante




Um garotinho protestante, de apenas 6 anos, ouvia sempre seus amiguinhos católicos rezar a Ave Maria. Ele gostou tanto da oração que a copiou para um papel e recitava-a todos os dias. "Olha, mãe, que oração linda!", disse o garotinho um dia a sua mãe."Nunca mais a repitas, meu filho!", respondeu a mãe. "Esta é uma oração supersticiosa dos católicos, que adoram ídolos e pensam que Maria é uma espécie de Deusa. Mas na verdade ela não passa de uma mulher como outra qualquer. Pega esta Bíblia e lê, nela encontramos tudo o que devemos e o que não devemos fazer". Daquele dia em diante, o garotinho parou suas Ave Marias diárias e dedicou-se mais à leitura da Bíblia. Um dia, quando lia o Evangelho, o garoto leu a passagem da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Cheio de alegria, o garoto correu até sua mãe e disse: Mãe, eu encontrei a Avé Maria na Bíblia, aonde diz: 'Avè, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres'.(Lc 1, 28) Por que chamas-te a esta oração supersticiosa?
'Noutra ocasião ele encontrou a linda saudação de Santa Isabel à Virgem Maria e encontrou também o maravilhoso Cântico MAGNIFICAT, no qual Maria é profetizada: "Doravante todas as nações me chamarão bem-aventurada."(Luc. I,48). Ele não comentou mais estas passagens com sua mãe, mas voltou a recitar suas Ave Marias todos os dias, como fazia anteriormente. Ele sentia prazer em recitar aquelas fascinantes palavras para a Mãe de Jesus, Nosso Salvador. Aos 14 anos, ele ouviu os membros de sua família discutindo entre eles sobre Nossa Senhora. Todos eles diziam que Maria era uma mulher comum como qualquer outra. O garoto, depois de ouvir estas absurdas afirmações, não aguentou mais e com indignação interrompeu-os, dizendo: "Maria não é como qualquer filha de Adão, manchada pelo pecado. Não! O anjo chamou-a de Cheia de Graça e Bendita entre as mulheres. Maria é a Mãe de Jesus Cristo e, consequentemente , a Mãe de Deus. Não existe dignidade maior para com uma criatura. O Evangelho conta-nos que as gerações a chamarão abençoada/bem aventurada, e vocês desmerecendo-a e menosprezando-a? Seus espíritos não são os mesmos do Evangelho ou da Bíblia, que proclamam ser a fundação da Religião Cristã." A fala do garoto deixou uma impressão tão profunda, que conseguiu, por várias vezes, fazer sua mãe chorar de dor. "Ah, meu Deus! Tenho medo que este meu menino um dia se junte á religião católica, a religião dos Papas!".
E realmente não tardou muito, depois de um sério estudo sobre o Protestantismo e o Catolicismo, o garoto descobriu mais tarde a única e verdadeira religião, e abraçou-a e se tornou um de seus mais ardentes apóstolos. Algum tempo após sua conversão, ele encontrou-se com sua irmã casada que o censurou, dizendo: 'Tu sabes o quanto eu amo meus filhos. Se algum deles um dia desejar virar católico, eu preferirei perfurar o coração deles com um punhal do que permiti-los abraçar a religião dos Papas.' A fúria dela era tão profunda quanto a de São Paulo antes de sua conversão. De qualquer forma, ela iria mudar seu jeito, igual a São Paulo no caminho a Damasco. Então aconteceu que um dos filhos dela ficou muito doente, e os médicos já tinham perdido a esperança de recuperação. Aí o irmão chegou até ela, e conversou afetivamente, dizendo: "Minha querida irmã, naturalmente desejas que tua criança seja curada. Muito bem então, o que eu te pedir, faz! Segue-me, vamos rezar uma Ave Maria e prometer a Deus que, se tua criança recuperar a saúde, tu irás estudar seriamente a Doutrina Católica, e aí chegarás à conclusão de que o Catolicismo é a única e verdadeira religião, e não importa quão grande seja este sacrifício, mas então irás abraçar esta Fé. Sua irmã estava relutante no começo, mas como ela desejava a recuperação de seu filho, ela aceitou a proposta do irmão e rezou a Ave Maria com ele. No dia seguinte o filho dela estava completamente curado. A mãe cumpriu sua promessa e estudou a Doutrina Católica. E após uma longa preparação, ela recebeu o sacramento do Baptismo juntamente com o resto de seus familiares, e agradeceu a seu irmão por ter sido um apóstolo para ela. Essa história foi relatada num sermão feito pelo Rev. Fr. Tuckwell(Padre Tuckwell), que continuou o sermão dizendo: "
O tal garoto que virou Católico e converteu sua irmã e familiares ao catolicismo, passou a dedicar sua vida inteira para o serviço de Deus. Aquele garoto virou padre e está a falar com vocês neste exato momento!" O que eu sou, devo a Nossa Senhora. Vocês também meus caros fiéis, sejam totalmente dedicado à Nossa Senhora, e nunca esqueçam de todos os dias rezarem esta linda oração, a Ave Maria e o Terço. Peçam a Ela para iluminar as mentes protestantes que estão separadas da Igreja de Cristo, fundada na pedra/rocha(Pedro) , da qual as portas do inferno não prevalecerão contra ela ( Mt. XVI, 18).

16.11.08

Nossa Senhora dos Pampas


Nossa Senhora dos Pampas

16 de outubro


Maria manifesta sua poderosa proteção à todos os filhos que recorrem a ela com fé verdadeira em Jesus Cristo".Luís Maria Grignion de MontfortPrimeira escultura feita conforme o desenho original.
A devoção de Nossa Senhora dos Pampa surgiu a partir da Comunidade das Irmãs Carmelitas Descalças da Arquidiocese do Rosário, Argentina. Em 1986, com apoio do Bispo de Santa Rosa, fundaram um Carmelo na cidade. Desde o início colocaram o novo mosteiro sob a proteção da Virgem Maria. Mas as carmelitas desejavam imprimir-lhe uma devoção especial que expressasse a sua presença nessas terras desde as remotas origens raciais e históricas.Muitos são os relatos da milagrosa intercessão de Nossa Senhora, invocada por religiosos, leigos e índios convertidos nas mais diversas situações aflitivas no início da colonização. Inspiradas na vigorosa devoção à Mãe de Deus demonstrada através da fé popular à padroeira da nação surgiu o nome de Nossa Senhora de La Pampa. Agora seria necessário representar uma imagem de Maria que transmitisse este conteúdo e a inspiração artística deveria ser enviada por ela. Para isso, as carmelitas se mantiveram com o coração repleto de amor pelo humilde povo pampeiro e em constante oração contemplativa.Logo os sinais da Mãe foram se somando e finalmente uma das carmelitas desenhou uma imagem que, associada a um acontecimento histórico, deu a elas a certeza que fôra inspiração da própria Virgem. A imagem de Maria veste o rústico poncho habitual dos primitivos índios e gaúchos do local. E traz sob ele o Menino Jesus apertado junto ao seu peito. A cabeça esta envolta por um pequeno lenço de camponesa ao invés de ter uma coroa. De pé, sua atitude a revela uma caminhante, a primeira missionária da evangelização destas terras.Quanto ao episódio histórico que emocionou as carmelitas está ligado à Nossa Senhora de Luján, devoção do povo argentino. Em 1886 na vila de Luján o Padre Jorge Salvaire, encarregado da Capela da futura padroeira da nação, foi preso como espião pelos índios. Amarrado à um tronco aguardando a execução, o padre rezou à Virgem de Luján e prometeu que se sobrevivesse construiria um Santuário para ela. Nesse momento chegou o cacique da tribo vizinha e reconheceu o amigo sacerdote que para lhe salvar a vida, arriscou a própria. Num gesto nativo para indicar sua proteção, tirou seu poncho e cobriu o padre. Os índios logo libertaram o padre, que no ano seguinte deu início ao projeto do belo Santuário de Nossa Senhora de Luján.A exemplo do gesto do poncho, onde a Virgem Maria manifestou sua poderosa proteção aos filhos que recorrem a ela com fé em Cristo, a imagem de Nossa Senhora de La Pampa transmite que a Mãe abraça todos os filhos sem distinção e em todas as horas e os protege com seu poncho materno, desde o despertar da raça indígena até os dias de hoje.As carmelitas receberam a primeira imagem de cerâmica de Nossa Senhora de La Pampa em 1989. Cinco anos depois recebeu o nome de Santa Maria da La Pampa. Em 1995 uma imagem dessa devoção foi entronizada no salão de entrada do edifício da Legislatura Provincial, indicando a permanente proteção e interseção de Maria em favor do povo.No dia 16 de outubro de 1998, com autorização do Vaticano o bispo de Santa Rosa, entronizou a imagem de Nossa Senhora de La Pampa na Catedral.

NOSSA SENHORA DA ALMUDENA


Padroeira de Madri - Espanha


Como se sabe, a bela capital espanhola é antiquíssima. Roma ainda nem fora fundada e Madri já se orgulhava de sua antigüidade. Foi ela uma das primeiras vilas da Península Ibérica a se cristianizar. Reza a tradição, São Tiago aí pregou o evangelho, construindo um pequeno templo, com a ajuda de seus discípulos, dedicado à Maria Santíssima, onde teria deixado uma imagem de Nossa Senhora esculpida em madeira. A perseguição romana levou a Igreja local a possuir muitos mártires. Os invasores godos, contudo, após vencerem os romanos, abraçaram a fé cristã e uma outra igreja foi construída no lugar da primitiva capela de São Tiago.
O conde D. Julián, cujo nome permanece execrado nos anais da história espanhola como traidor, facilitou a entrada dos árabes do norte da África na península.
Transcorria o ano 714 e os invasores se aproximavam da capital. O povo cristão, desesperado, reuniu-se em torno da Virgem para suplicarem auxílio. Entretanto, a vila não dispunha de recursos suficientes para resistir. Surge, então, um problema: o que se faria com a tão venerada imagem para preservá-la da destruição? Decidiram escondê-la num vão da muralha da cidade. Confiantes de que poderiam resgatá-la mais tarde, assim fizeram.
Os vitoriosos, certos de que permaneceriam para sempre na vila, transformaram a capela em mesquita. Trezentos e sessenta e nove anos depois, D. Alfonso VI, rei de Castela, auxiliado pelo célebre D. Rodrigo Díaz de Bivar, El Cid Campeador, derrotou os mouros em Toledo, tornando viável a reconquista de Madri, o que aconteceu pouco depois.
Dessa forma, em 1083, a antiga igreja foi reconsagrada e novamente dedicada à Virgem. Os habitantes ainda se recordavam, meio vagamente, de que uma imagem da Virgem ficara escondida na muralha por ocasião da conquista da vila. O próprio Rei se dispôs a achá-la. Por um pregão, ordenou que toda a população, por meio de jejuns, orações e penitências, suplicassem à Nossa Senhora que se dignasse mostrar o lugar onde fora guardada a sua escultura. No dia 9 de novembro de 1083, nono dia, os citadinos em massa dirigiram-se em procissão até a igreja. Em meio à nobreza, eclesiásticos e cavaleiros, destacava-se El Cid, herói nacional, vencedor de sete reis mouros.
Após a celebração da missa, o cortejo começou a percorrer a vila, em piedosa investigação. Mas ninguém encontrou nada. O desânimo tomou conta de todos.
Mas a tristeza não duraria muito tempo. Durante essa mesma noite, a muralha partiu-se, deixando aparecer em um nicho a milagrosa imagem, tão bem conservada como se tivesse sido ali depositada na noite anterior. E ainda puderam ser acesas as velas que ali tinham sido colocadas há quase quatro séculos. Foi feita uma nova procissão, ainda mais solene, que conduziu a Virgem ao seu antigo altar.
D. Alfonso VI quis que ela passasse a se chamar Santa Maria la Real de la Almudena, por haver permanecido tantos séculos escondida em um local da muralha perto do almudin (mercado ou armazém) que os mouros ali haviam instalado. A Santíssima Virgem foi ainda proclamada Padroeira de Madri.
Pouco depois da morte de Alfonso VI, Madri foi mais uma vez atacada pelos mouros, comandados por Alí-Aben-jucet. Mais uma vez a cidade estava despreparada para a defesa. Alí Jucet determinou manter o cerco à cidade, até que a fome obrigasse o povo a se render. Os sitiados recorreram à Virgem, que os atendeu. Uma peste terrível assolou o campo inimigo. Os que não foram atingidos pela peste foram obrigados a fugir desesperados.

13.11.08

No Magníficat Maria celebra a obra admirável de Deus


Catequese de João Paulo II (6-XI-96)


1. Maria, inspirando-se na tradição do Antigo Testamento, celera com o cântico do Magníficat as maravilhas que Deus realizou nela. Esse cântico é a resposta da Virgem ao mistério da Anunciação: o anjo convidou-a a alegrar-se; agora Maria expressa o júbilo de seu espírito em Deus, seu salvador. Sua alegria nasce de ter experimentado pessoalmente o olhar benévolo que Deus dirigiu a ela, criatura pobre e sem influência na história.
Com a expressão Magníficat, versão latina de uma palavra grega que tinha o mesmo significado, é celebrada a grandeza de Deus, que com o anúncio do anjo revela sua onipotência, sueperando as expectativas e as esperanças do povo da aliança e inclusive os mais nobres desejos da alma humana.
Frente ao Senhor, potente e misericordioso, Maria manifesta o sentimento de sua pequenez: "Minha alma proclama a grandeza do Senhor; alegra meu espírito em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua escrava" (Lc 1,46-48). Provavelmene, o termo grego tapeinosis foi tirado do cântico de Ana, a mãe de Samuel. Com ele indicam a "humilhação" e a "miséria" de uma mulher estéril (cf. 1 S 1,11), que encomenda sua pena ao Senhor. Com uma expressão semelhante, Maria apresenta sua situação de pobreza e a consciência de sua pequenez perante Deus que, com decisão gratuita, colocou seu olhar sobre ela, jovem humilde de Nazaré, chamando-a a converter-se na mãe do Messias.
2. As palavras "de agora em diante todas as nações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48), têm como ponto de partida a felicitação de Isabel, que foi a primeira a proclamar a Maria "bendita" (Lc 1,45). O cântico, com certa audácia, prediz que essa proclamação irá se estendendo e ampliando com um dinamismo incontido. Ao mesmo tempo, testemunha a veneração especial que a comunidade cristã sentiu pela Mãe de Jesus desde o século I. O Magníficat constitui a primícia das diversas expressões de culto, transmitidas de geração em geração, com as quais a Igreja manifesta seu amor à Virgem de Nazaré.
3. "O Poderoso fez em mim maravilhas; seu nome é santo e sua misericórdia chega aos fiéis de geração em geração" (Lc 1,49-50).
O que são essas "maravilhas" realizadas em Maria pelo Poderoso? A expressão aparece no Antigo Testamento para indicar a libertação do povo de Israel do Egito ou da Babilônia. No Magníficat refere-se ao acontecimento misterioso da concepção virginal de Jesus, acaecido em Nazaré depois do anúncio do anjo.
No Magníficat, cântico verdadeiramente teológico porque revela a experiência do rostro de Deus feita por Maria, Deus não só é o Poderoso, a quem nada é impossível, como havia declarado Gabriel (cf. Lc 1,37), mas também o Misericordioso, capaz de ternura e fidelidade para com todo ser humano.
4. "Ele faz proezas com seu braço; dispersa os soberbos de coração; derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes; os famintos os sacias de bens e despede os ricos de mãos vazias" (Lc 1,51-53).
Com sua leitura sapiencial da história, Maria nos leva a descobrir os critérios da misteriosa ação de Deus. O Senhor, confundindo os critérios do mundo, vem em auxílio dos pobres e pequenos, em detrimento dos ricos e dos poderosos, e, de modo surpreendente, enche de bens os humildes, que lhe encomendam sua existência (cf. Redemptoris Mater, 37).
Estas palavras do cântico, ao mesmo tempo em que nos mostram em Maria um modelo concreto e sublime, nos ajudam a compreender que o que atrai a benevolência de Deus é sobretudo a humildade de coração.
5. Por último, o cântico exalta o cumprimento das promessas e a fidelidade de Deus com o seu povo escolhido: "Auxilia a Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência para sempre" (Lc 1,54-55).
Maria, cheia de dons divinos, não se detém a contemplar seu caso pessoal, mas compreende que esses dons são uma manifestação da misericórdia de Deus a todo seu povo. Nela Deus cumpre suas promessas com uma fidelidade e generosidade abundantes.
O Magníficat, inspirado no Antigo Testamento e na espiritualidade da filha de Sião, ssupera os textos proféticos que estão ems ua origem, revelando na "cheia de graça" o início de uma intervenção divina que vai além das esperanças messiânicas de Israel: o mistério santo da Encarnação do Verbo.

11.11.08

Nossa Senhora da Antártica


05 de agosto (Festa Mariana)


Seguindo as pegadas da Virgem Maria, avançamos na peregrinação da fé, pois a Mãe nos leva fielmente à união com o seu Filho até à Cruz da salvação.
Os antigos gregos estudavam a possibilidade do nosso planeta ser redondo e chamavam o continente sul de "Anti-Arkitos". Mas a idéia desse formato do mundo ficou esquecida até a Idade Média, ganhando força durante as descobertas das grandes rotas marítimas, descortinando todos os continentes existentes na Terra.O navegador português Fernão de Magalhães, em 1520, foi o que mais se aproximou da "terra australis", como era chamado o continente antártico, cujas condições climáticas são totalmente desfavoráveis ao convívio humano. Magalhães descobriu o estreito que liga o oceano atlântico ao pacífico e avistou a Terra do Fogo, no extremo da América do Sul.A partir de 1820, começou a exploração da região Antártica e das ilhas próximas, com a expedição russa do navio Vostok. Passados dez anos as informações davam conta da possível existência de um continente. Isso foi confirmado com a circunavegação feita pelo navio inglês Tula, em 1831.Entre 1898 e 1889, o jovem oficial belga Andriano de Gerlache e sua equipe foram os primeiros a estudar essa região. A bordo do navio Bélgica realizaram a primeira invernagem na Península Antártica.A expedição de Gerlache construiu a Estação científica da Polônia, que fez a primeira observação meteorológica completa na Antártica. Por isso Henrique Arctowski se tornou pioneiro no estudo do clima antártico. Depois, junto com o capelão construíram uma pequena capela interna, dedicada à Nossa Senhora das Neves, protetora da equipe.Desse modo a invocação à Nossa Senhora da Antártica se propagou entre os residentes desses centros de pesquisas e alcançou os países de suas famílias, parentes e amigos.Os americanos implantaram a Estação MacMurdo, um dos pontos mais avançados de pesquisa científica da NASA. Para homenagear os primeiros desbravadores pioneiros mortos eles construíram dois monumentos. À sua frente ergueram um pequeno mirante com uma grande cruz de madeira, chamado Cruz de Vicente, indicando o local exato da morte do primerio navegador. Mais adiante ergueram o Oratório de Nossa Senhora da Antártica, onde foi colocada uma imagem de Santa Maria das Neves.O Tratado Antártico, assinado em 1958, determinou o continente patrimônio internacional para pesquisas. Porém só em 1982 houve permissão para a entrada limitada de navios com turistas. O Oratório, considerado o mais longínquo templo de Nossa Senhora existente do nosso planeta, é o local mais solicitado pelos turistas cristãos, especialmente os devotos marianos, que visitam anualmente esse santuário ecológico.

9.11.08

Nossa Senhora de La Salete




SALETTE


Em meados de setembro de 1846, um camponês de Ablandins, Pedro Selme, está com o pastor adoentado. Desce a Corps, até a casa de seu amigo, o carroceiro Giraud:-"Empresta-me teu Maximino por alguns dias..."-"Maximino pastor? Ele irresponsável demais para tanto !..." Conversa vai, conversa vem..., a 14 de setembro o garoto Maximino vai a Ablandins.No dia 17 percebe a presença de Melânia na aldeia. No dia 18 vão pastorear seus rebanhos nos terrenos de Comuna, no monte Planeau. À tarde, Maximino procurava entabular uma conversa. Melânia não se mostra interessada. Descobrem, no entanto, um ponto comum: os dois são de Corps. Conversam então, e decidem voltar a pastorear juntos no dia seguinte e no mesmo lugar.NAS MONTANHASNo sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, as duas crianças sobem as ladeiras do monte Planeau, cada uma tocando seu rebanho de quatro vacas, sendo que Maximino tinha também uma cabra e o cachorrinho Lulu. O sol resplandecia sobre as pastagens... Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da Igreja da aldeia toca a hora do Angelus. Os pastores então conduzem as vacas até a "fonte dos animais", uma poça d'água formada pelo regato que desce pelo vale do Sézia. A seguir, conduzem os rebanhos à pradaria chamada "Le Chomoir", nas encostas do Monte Gargas. Faz calor e os animais se põem a ruminar.Maximino e Melânia tornam a subir pelo vale até a "fonte dos homens". Junto à fonte, tomam uma frugal refeição: pão e um pedaço de queijo. Outros meninos pastores, que pastoreiam mais abaixo, juntam-se aos dois e passam a conversar. Depois que eles partiram, Maximino e Melânia atravessam o regato e descem alguns passos até os dois assentos de pedras empilhadas, junto a poça seca de uma fonte sem água: e a "pequena fonte". Melânia deposita a mochila no chão, e Maximino põe a jaqueta e a merenda sobre a pedra. A LINDA SENHORAA linda Senhora põe-se de pé. Os dois não se mexiam. Ela lhe diz, em francês:- Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!Então, as crianças descem até a Bela Senhora.Olham-na. Ela não para de chorar:- "Achávamos que era uma mamãe cujos filhos a tivessem espancado e que se teria refugiado na montanha para chorar". A Bela Senhora é alta e toda de luz. Veste-se como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado as costas, touca de camponesa. Rosas coroam sua cabeça, ladeiam o lenço e ornam seu calçado. Em sua fronte a luz brilha como um diadema. Sobre os ombros carrega uma pesada corrente. Uma corrente mais leve prende sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro uma torques. AS PALAVRAS DA VIRGEMA Bela Senhora fala aos dois pastores:- " Ela chorou durante todo o tempo em que nos falou". Junto ou separadamente, as duas crianças repetem as mesmas palavras, com ligeiras variantes que não afetam o sentido. Não importa quais sejam seus interlocutores: peregrinos ou simples curiosos, notáveis ou eclesiásticos, pesquisadores ou jornalistas. Quer sejam favoráveis, sem prevenção ou malévolos, eis o que lhes é transmitido:Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade! "Nós a ouvimos, não pensávamos em mais nada". Como Maximino e Melânia, deixemos que ressoe em nós também o que ela falou no alto da montanha. Com eles, ouçamos a Bela Senhora, contemplando o Crucifixo resplandente de glória sobre seu peito. Se meu povo não quer submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. E tão forte e tão pesado que não o posso mais suster.Há quanto tempo sofro por vós! Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não mo querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho.São essas as duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho. Se a colheita se estraga, e só por vossa causa, Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, juráveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão assim, e neste ano, para o Natal, não haverá mais. A palavra "batatinhas" (em francês: 'pommes de terre'), deixa Melania intrigada. No dialeto da região, se diz "la truffa". E a palavra 'pommes' lembra-lhe o fruto da macieira. Ela se volta então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. A Senhora porém, adianta-se dizendo:Não compreendeis, meus filhos? Vou dize-lo de outro modo. Retomando pois, as últimas frases no dialeto de Corps, língua falada correntemente por Maximino e Melânia, a Bela Senhora prossegue sempre no dialeto: Se tiverdes trigo, não se deve semeá-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos insetos, e o que produzir se transformará em pó ao ser malhado. Virá grande fome. Antes que a fome chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de tremor e morrerão entre as mãos das pessoas que as carregarem, Os outros farão penitência pela fome. As nozes caruncharão, as uvas apodrecerão. De repente, a Bela Senhora continua a falar, mas somente Maximino a entende. Melânia percebe seus lábios se moverem, mas nada entende. Alguns instantes depois, Melânia por sua vez, pode ouvir, enquanto Maximino, que nada mais entende, faz girar o chapéu na ponta do cajado ou, com a outra, brinca com pedrinhas no chão. - "Mas nenhuma sequer tocou os pés da Bela Senhora!", escusar-se-ia alguns dias mais tarde.- "Ela me disse alguma coisa ao me dizer: Tu não dirás nem isso. Depois, não compreendia mais nada, e durante esse tempo, eu brincava".Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Melânia. E novamente, os dois em conjunto ouvem as seguintes palavras: Se se converterem, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados.Fazeis bem vossa oração, meus filhos? "Não muito Senhora", respondem as crianças.Ah! Meus filhos, é preciso faze-la bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais.Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham no domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, vão a Missa zombar da religião. Durante a Quaresma vão ao açougue como cães.Nunca viste trigo estragado, meus filhos? "Não Senhora" , responderam eles. Então Ela se dirige a Maximo: Mas tu, meu filho, tu deves tê-lo visto uma vez, perto do Coin, com teu pai. O dono da roça disse a teu pai que fosse ver seu trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas entre as mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estáveis a meia hora de Corps, teu pai te deu um pedaço de pão dizendo-te: "Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim". Maximino responde:-"É verdade, Senhora, agora lembro. Há pouco não lembrava mais". E a Bela Senhora conclui, não mais em dialeto, e sim em francês:Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo.

8.11.08

Nossa Senhora de Walsingham




No presente ano, em que se operou a conversão ao catolicismo da Duquesa de Kent e de muitas outras personalidades do Reino Unido - de diversos graus de notoriedade - bem como de grande número de anglicanos comuns, convém rezarmos a Nossa Senhora de Walsingham, pelo crescimento tanto numérico quanto em profundidade desse providencial movimento. Que Ela converta a Inglaterra à Igreja verdadeira, restaure o acendrado fervor religioso da época de Santo Agostinho da Cantuária e de seus heróicos companheiros.Com efeito, Walsingham é o principal título com que Nossa Senhora há cerca de mil anos vem aspergindo suas graças naquele reino, a partir do priorado agostiniano situado na região de mesmo nome, fundado em 1016. Localiza-se ele a poucos quilômetros do Mar do Norte, numa das renomadas campinas verdejantes e ajardinadas da Inglaterra, no território de Norfolk, cujos Duques constituíram uma grande estirpe que manteve a fidelidade a Roma, em meio à generalizada apostasia anglicana. Em 1016 já vivia Santo Eduardo o Confessor, e poucos anos antes havia reinado seu tio, Santo Eduardo o Mártir.Desde o início, os insignes favores concedidos por Nossa Senhora naquele santuário tornaram-no objeto de freqüentes peregrinações, que partiam de toda a Inglaterra e até do Continente europeu. Ainda no século atual é conhecido como Palmers’Way (Via dos Peregrinos) o principal caminho que conduz a Walsingham, através de Newmarket, Brandon e Fakenham. Muitas foram as dádivas de terras, prebendas e igrejas obsequiadas aos cônegos agostinianos de Walsingham, em virtude da grande devoção mariana arraigada na população britânica, e dos muitos milagres alcançados através das súplicas dirijas a Nossa Senhora de Walsingham. O Rei Henrique III para lá peregrinou em 1241; Eduardo I, em 1280e 1296; Eduardo 11, em 1315; e Henrique VI, em 1455.Eduardo I nutria grande devoção a Nossa Senhora de Walsingham. Atribuiu a Ela o fato de se ter salvo de um desastre. Certo dia, num intervalo entre suas ocupações, jogava xadrez, quando subitamente lhe veio a idéia de se levantar do assento, sem explicar por que lhe ocorria tal impulso.Um instante depois, grande pedra desprendeu-se da abóbada da sala onde estava o Rei e caiu sobre o lugar que acabava de deixar. Tal fato fez com que redobrasse o amor que votava à Virgem.Henrique VIII, em 1513, muito antes de sua apostas ia, chegou a peregrinar descalço a Walsingham. Em 1511, por exemplo, tal era o prestígio do santuário mariano que o ímpio humanista Erasmo de Rotterdam foi visitá-lo, partindo de Cambridge, em cumprimento de um voto. Terá sido um resíduo de fé nele existente ou uma jogada para prestigiar-se junto aos católicos ingleses? Qualquer que tenha sido a causa da peregrinação, não impediu que o humanista deixasse como oferenda a Nossa Senhora louvores escritos em versos gregos. Anos depois, num opúsculo, Erasmo comentou a riqueza e a magnificência de WalsinghamDe modo trágico (embora coerente com seus pérfidos princípios) a Revolução protestante não poupou o santuário: seus tesouros foram espoliados,destruiu-se o priorado, foi desmantelada a capela. Hoje, felizmente, está ela restaurada, conforme fotografia que apresentamos na capa deste Caderno Especial, atraindo um fluxo considerável de fiéis.Qual a origem dessa admirável devoção? Nossa Senhora apareceu à nobre Lady Richeldis de Sauvraches, mostrando-lhe misticamente a Santa Casa de Nazaré, para que, tomando-lhe as medidas exatas, edificasse uma igual em Walsingham. Como tem ocorrido em outros países e épocas, a vidente ofereceu certa resistência para acreditar em algo tão extraordinário, como seja uma inesperada incumbência vinda diretamente do Céu. Assim, Nossa Senhora teve que repetir o pedido em três ocasiões diferentes, a fim de que Richeldis pusesse mãos à obra. Seu filho, Geoffrey, e o sucessor deste, Richard de Clare, Duque de Gloucester, solicitaram e obtiveram que a Ordem de Santo Agostinho definitivamente cuidasse do culto da Santíssima Virgem, no lugar por Ela escolhido.Quando Lady Richeldis começou a construção da capela, observou certa manhã, com espanto, olhando para o prado, dois trechos planos do terreno misteriosamente não atingidos pelo orvalho. Aquelas duas partes correspondiam exatamente às dimensões da planta da Santa Casa de Nazaré, que Lady Richeldis havia medido durante sua visão.É digna de nota a semelhança do fato prodigioso presenciado por Lady Richeldis com a demarcação do terreno da Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, e mais ainda com o milagre do véu de Gedeão, relatado no Antigo Testamento.

7.11.08

Nossa Senhora das Neves




05 de agosto (Festa Mariana)(Nossa Senhora das Neves ou Santa Maria Maior)O que a humanidade não valoriza, Deus escolhe. Por isso, chamou uma mulher do povo, Maria.

A invocação de Nossa Senhora das Neves é uma das mais antigas da Igreja Católica romana. Conta a tradição vivia em Roma, o representante do imperador bizantino, com a esposa. Era um fidalgo riquíssimo, sem filhos, chamado João. O casal já não sabia mais como gastar toda sua fortuna. Por isso, decidiram construir obras primas para a Igreja. Mas não sabiam quais escolher.Na noite de 04 para 05 de agosto de 352, João sonhou que a Virgem Maria lhe pedia para construir uma igreja no local que estivesse coberto de neve ao amanhecer. Ele acordou, contou à esposa e ambos começaram a se questionar como seria possível nevar em pleno verão, em Roma.Nessa mesma noite a Mãe de Deus também apareceu em sonho ao Papa Libério e lhe disse que no raiar do dia, a neve estaria cobrindo o monte Esquilino, e alí ele deveria erguer uma igreja em sua honra. Pela manhã a notícia do monte coberto pela neve, apesar do verão, espalhou-se pela cidade. O Papa e João, por caminhos diferentes subiram a colina, seguidos pela multidão. No cume do Esquilino os dois se encontraram, conversaram e entenderam que estavam alí pelo mesmo motivo. O Papa então demarcou a área para a construção da igreja e João financiou todo o projeto da Igreja de Santa Maria da Neve.Na Antiguidade as colinas do Esquilino eram o deposito de lixo da cidade. Com o tempo o lugar se tornou um cemitério de escravos. Porém na época do Império Romano as colinas eram as preferidas pelos nobres para a construção de suas ricas vilas. Mesmo assim o povo não gostava do local. A construção da igreja deu nova vida à região.Em 431, o Concílio de Éfeso foi encerrado com a proclamação da "maternidade divina da Virgem Maria". O Papa Xisto III para comemorar essa verdade de fé quis construir uma grande igreja, bem "maior" que as outras. Decidiu que o local seria o mesmo indicado pela Mãe de Deus, ao então Papa Libério. Por isso, a velha igreja deu lugar ao monumento que é a basílica de Santa Maria Maior, adjetivo que dá conta da sua magnitude. A basílica guarda os primeiros e mais ricos mosaicos com a imagem de Nossa Senhora. De fato, é um dos maiores e mais belo santuário mariano de toda a cristandade.Porém, a antiga tradição propagou a invocação de Nossa Senhora das Neves celebrada em muitos lugares no dia 05 de agosto. Maior. Essa devoção também chegou ao Brasil, onde o culto é vigoroso especialmente na Bahia, em Pernambuco, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Nossa Senhora das Neves é a Padroeira de João Pessoa, capital da Paraíba e de todos os alpinistas.

6.11.08

Nossa Senhora de Copacabana




05 de agosto (Festa Mariana)"




Inegavelmente, a alma de Maria foi a mais bela criada por Deus, e Sua maior obra depois da Encarnação do Verbo". João Paulo II.(Imagem original esculpida pelo índio Francisco Tito)
Copacabana é uma cidade histórica e religiosa da Bolívia, hoje capital da província Manco Capac. Durante a civilização Inca alí se cultuava o Sol, a Lua e outras divindades, honradas com sacrifício humano. A mais de três mil e oitocentos metros acima do nível do mar, é uma cidade fria, mas belíssima, encravada às margens do Lago Titicaca e rodeada pelas magníficas montanhas andinas da Cordilheira Real, fronteira com o Perú.O Lago Titicaca era um local sagrado, onde os antigos incas idolatravam o deus bondoso "Qopaqhawana", que quer dizer: "mirante do azul". Esculpido em pedra turquesa, o ídolo podia ser visto de longe. O nome se tornou Copacabana, a partir de 1538, com chegada dos conquistadores espanhóis dessa região. Os índios descentes dos Colas e dos Incas viviam em harmonia no local e sua religiosidade contribuiu no trabalho de catequização dos dominicanos que alí se instalaram. Em 1550, foi possível erguer um pequeno templo, dedicado à Santa Ana, mãe da Virgem Maria.Por sucessivos anos Copacabana sofreu com o clima, perdendo inúmeras colheitas os nativos decidiram colocar as lavouras sob a proteção de uma devoção católica, cuja imagem ocuparia o altar central da capela de Santa Ana. Os religiosos concordaram, porém as duas tribos se dividiram entre Nossa Senhora da Candelária e São Sebastião. O impasse acabou criando um ambiente de discórdia no povo, preocupando os padres, pois esse não é o fundamento do evangelho de Cristo.Até que o índio Francisco Tito Yupanqui, nascido entre 1540 e 1550 em Copacabana, descendente direto da casa real Inca, sonhou que colocara uma imagem da Virgem com as feições de uma índia no altar da capela, aprovada por todos os nativos. Intuiu ser um sinal da Providencia Divina para que ele esculpisse aquela imagem vista no sonho.Como não era bom escultor tentou modelar uma em argila, mas o resultado não foi aprovado. Então resolveu ir para Potosí aprender as técnicas do ofício e iniciou sua obra. Mas a sua Nossa Senhora toda modelada em pasta de maguey, foi reprovada porque os padres acharam que parecia com uma princesa inca. Insistente, seguiu para La Paz, atual capital do país, onde trabalhou na igreja de São Francisco como ajudante de pintor em troca da douração da sua obra. Assim finalmente a imagem ficou pronta.Um sacerdote dessa igreja testemunhou o "primeiro prodígio": viu uma luz atravessar a cúpula do templo e atingir a imagem mariana que adquiriu um resplendor divino. Ele contou ao cura de Copacabana que estava em La Paz e se interessou em conhecer a obra. Ao ver a imagem de Maria com os traços e as roupas indígenas, segurando com toda ternura o Menino nos braços, que parece lhe querer cair, mas a Mãe o sustenta com firmeza, foi tomado pela fé e abençoou o trabalho do índio Francisco Tito.Da capital boliviana a imagem de Nossa Senhora seguiu em procissão à igreja de Santa Ana em Copacabana levada pelo cura e o índio escultor. Fiéis se juntaram à eles até chegarem ao povoado em 02 de fevereiro de 1583. Como no sonho do índio Francisco Tito, o povo todo saiu à ruas feliz por receber a imagem que ocupou o altar principal da igreja.Desde então incontáveis graças e milagres foram alcançados pela poderosa intercessão de "Nossa Senhora de Copacabana", e esse culto se espalhou por todo o país. O templo atual desse Santuário foi erguido e consagrado à Virgem de Copacabana em 1805, e se tornou Basílica no final de 1940. O Papa Pio XI, em 1925, declarou e coroou Nossa Senhora de Copacabana, Padroeira e Rainha da Bolívia

2.11.08

Nossa Senhora da Boa Morte


15 de agosto(Festa Mariana)(Nossa Senhora da Boa Morte)

Dormição de Maria"


Maria é a primissa da glorificação do corpo e da alma, assegurada por Cristo no final dos tempos". Inácio Maria Calabuig
A devoção à Nossa Senhora da Boa Morte chegou aos cristãos do Ocidente, através da tradição cristã do Oriente, sob o título de "Dormição da Assunta". Talvez, esse seja o culto mariano mais antigo, iniciado logo nos primeiros séculos do cristianismo. A última metade do século V foi marcada pela propagação de uma literatura apócrifa, isto é, escrita na época dos fatos, mas não incluída na Bíblia, sobre a morte e assunção da Virgem; e a construção de uma Basílica para venerar o túmulo da Mãe de Deus, por ordem da imperatriz Eudóxia. Isso acabou provocando a mudança do conteúdo temático do culto de 15 de agosto, para a "Dormição da Assunta", já no início do século VI. Os escritos apócrifos revelavam que, a Virgem Maria teria entrado em "Dormição", isto é, entrado no sono da morte rodeada pelos apóstolos. O seu corpo imaculado foi levado por eles a um sepulcro novo no Getsêmani. Três dias depois, eles voltaram ao local e o encontraram vazio e com odor de flores. A Mãe fôra "Assunta", isto é, subira ao céu em corpo e alma. No século VII, o imperador Maurício prescreveu que essa festa mariana fosse celebrada em todos os seus domínios, como uma das mais importantes. E finalmente, o Papa Sérgio I a introduziu na liturgia de Roma. Desse modo, o culto "Dormição da Assunta" ou "Dormição da Mãe de Deus" alcançou toda a Igreja, do Oriente e do Ocidente. A Igreja do Oriente, se dedicou ao culto da devoção da Mãe de Deus, até por ser a mais primitiva. Muitas igrejas cobertas de ícones sagrados foram erguidas em todos as regiões, nesse período bizantino. Os lugares sagrados, marcados pelos acontecimentos da Revelação do Mistério de Deus, foram guardados dentro de magníficos templos cobertos de ícones. Os ícones não foram feitos para adornar o templo, são pinturas que representam os símbolos sagrados da Igreja e descrevem o Evangelho. Assim, uma grande profusão de ícones invadiu a Igreja do Ocidente, especialmente os da Mãe de Deus. A Virgem Santíssima, além de ser invocada e representada em "Dormição", foi chamada de "Assunta", como seu filho foi elevada ao céu, pelo mérito de Cristo, obtendo a Redenção corpórea. Venerar a Boa Morte de Nossa Senhora sempre foi uma grande festa, para os cristãos. Ela é a primissa da glorificação do corpo e da alma, assegurada por Cristo no final dos tempos. Antigamente o culto iniciava na véspera, com a deposição da imagem da Virgem "dormente", num esquife e ficava exposta à visita dos fiéis até a manhã da festa, quando era retirada e colocada a imagem triunfal de Nossa Senhora da Assunção. Em algumas localidades essa tradição se manteve, inclusive nas Américas que herdou o culto dos missionários espanhóis e portugueses. O dogma da Assunção de Maria só foi proclamado pelo Papa Pio XII em 1950, como conseqüência lógica de intensos estudos históricos e teológicos patrocinados pela Igreja ao longo desses séculos. Ele só fez coroar uma fé sempre professada universalmente por todo o Povo de Deus..

1.11.08

Nossa Senhora de Crea


05 de agosto (Festa Mariana)

(Nossa Senhora de Crea - Imagem original)"


É nos pés de Nossa Senhora que se encontram todas as alegrias, a esperança, as angústias e os sofrimentos de todos, indistintamente".Carlo Cavalla
A região italiana do Piemonte, localizada junto aos Alpes, divisa com a França, é uma das mais belas da Europa. Pois neste verdadeiro paraíso da natureza, no Monte de Crea, próximo de 350 depois de Cristo, Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, mandou erguer uma capela em honra à Nossa Senhora. A intenção foi santificar o lugar, antes consagrado às divindades pagãs. Dez anos depois o próprio Santo trouxe do Oriente, onde esteve exilado, três estatuas da Virgem Maria. Uma mandou para a capela de Crea e as outras duas enviou à Oropa e Sardenha, sua terra natal. Estas informações foram retiradas nos seus manuscritos encontrados nos arquivos da diocese de Vercelli, datados do seu episcopado.A antiga estátua de Nossa Senhora de Crea, foi exposta à uma longa investigação cientifica durante sua restauração, concluída em 1981. Por isto, perdeu a cor negra original e poética do restrito grupo das "Nossas Senhoras Negras ou Morenas" a que pertence. A capela desta devoção, verdadeira relíquia da Igreja primitiva e o coração do Santuário de Crea, também teve de ser reconstruída, ao longo dos séculos.No início do segundo milênio se estabeleceram no convento de Crea os canônicos regulares de Asti. Em 1483, depois de uma breve permanência dos Servitas, foram sucedidos pelos monges Lateranenses. É à presença destes homens de grande cultura e sensibilidade artística, embasados na sólida formação religiosa ditada pela Ordem, que devemos o desenvolvimento do Santuário do Sagrado Monte de Crea, hoje rota obrigatória de todos os cristãos do mundo Oriental e Ocidental.Durante dezoito anos, desde 1801 a capela e o convento de Crea ficaram abandonados, após os sucessivos saques ocorridos durante sangrentas disputas militares. Passado este período, em 1820, a Santa Sé deu a guarda do Santuário à primorosa Ordem dos Frades Menores da observância. No dia 05 de agosto de 1890, quando o árduo trabalho de recuperação já era considerável, a venerada escultura de Nossa Senhora de Crea recebeu o manto de rainha e foi solenemente coroada, junto com o Menino Jesus que porta nos braços. Assim esta data foi oficializada para sua festa anual.Os franciscanos demoraram cento e setenta anos para o Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Monte de Crea recuperar ao seu primitivo esplendor a desempenhar a função de "Cidade do Espírito" proposta por seu fundador, Santo Eusébio de Verselli.Nos últimos tempos o local se tornou um importante centro de eventos marianos para o mundo cristão. Mas sempre contando com a crescente afluência de peregrinos e romeiros devotos de Maria. Em 1980 o governo italiano demarcou a área do Santuário como reserva ecológica, a qual foi doada ao Vaticano, para sua preservação. Desde 1992 este Santuário mariano está sob custódia dos sacerdotes da diocese de Casale Monferrato

31.10.08

Nossa Senhora da Regra


8 de setembro (Festa Mariana)


(Nossa Senhora da Regra)Escultura original atribuída a Santo Agostinho."Morena sou, porém formosa, ó filhas de Jerusalém..."Cântico dos Cânticos 1,5
A devoção a Nossa Senhora da Regra é muito antiga, do século IV. A sua história, mesclada de lendas e tradições orais, teve origem na África; e a sua imagem pertence ao grupo dos ícones das "Nossas Senhoras Negras, ou Morenas", dos primeiros séculos. Mas esta se diferencia das demais porque tem o Menino Jesus em pé apoiado sobre sua perna esquerda, e não sentado.Segundo a tradição ela foi esculpida por Santo Agostinho. Enquanto escrevia, o que mais tarde seria a Regra da Ordem dos monges agostinianos, ele teria sonhado com a Virgem Maria. Por isto, em sua homenagem entalhou a imagem que vira num pedaço de cedro negro e a manteve sempre sobre a mesa de trabalho, em sua cela.Em 443, o norte da África foi invadido pelos bárbaros Vândalos e todos os cristãos tiveram de fugir. A maioria atravessou o mar Mediterrâneo em direção à Europa. Da diocese de Hipona escaparam São Cipriano, então apenas diácono, e alguns monges agostinianos que carregaram consigo aquela imagem original de Nossa Senhora da Regra. Eles desembarcaram na Espanha, na baia de Chipiona, onde construíram uma capela defronte ao mar para guardar a Imagem. Mais tarde, alí surgiu um mosteiro da Ordem, chamado da Regra.No século VIII novamente os monges tiveram de fugir, devido a invasão dos árabes muçulmanos, mas antes esconderam a imagem da Virgem da Regra não muito distante do mosteiro. Diz a tradição que ela só foi encontrada no século XIII por um cônego regular da Catedral de Leon, em Santiago de Compostela. Era a festa da Natividade de Maria e ele descansava embaixo de uma árvore quando a Santíssima Virgem lhe apareceu e disse onde estava oculta a sua imagem.Alguns historiadores indicam o dia 08 de setembro de 1608 como o da primeira procissão transportando a imagem de Nossa Senhora da Regra pela cidade de Chipiona. Enquanto em 1588, ocorreu a primeira peregrinação das mulheres de Chipiona, organizada pela duquesa de Medina Sidonia, para pedir a intercessão da Virgem da Regra pelo êxito dos seus maridos, que lutavam contra a temida Armada da Inglaterra.Em 1928, após sua restauração a imagem de Nossa Senhora da Regra recebeu da Infanta Dona Beatriz de Sabóia o manto de rainha. A procissão deste ano foi acompanhada por uma esquadrilha de aviões militares em honra da Santa Virgem. Eleita pelos espanhóis como a protetora das famílias, em 1954 foi celebrada a missa solene de sua coroação pelo representante da Santa Sé. Na ocasião o Santuário de Chipiona estava repleto com a presença dos nobres de várias casas reais européias, de autoridades civis e eclesiásticas da Espanha.Deste país os agostinianos propagaram sua veneração por todo mundo cristão. Hoje encontramos uma vigorosa devoção à Nossa Senhora da Regra em Cuba, Miami, México, Republica Dominicana, Filipinas, Bélgica e Paises Baixos

30.10.08

Nossa Senhora modelo de confiança


Com os olhos postados na Mãe de Deus, pratiquemos essa virtude, tão necessária nos dias caóticos em que vivemos

Por Valdis Grinsteins

Quadro de Nossa Senhora da Confiança


- Seminário Romano, Roma Poucos actos são tão difíceis de se praticar como a virtude da confiança. Pois con-fiar é ficar "cum fiducia", é permanecer firme na Esperança. Ou seja, terminadas as razões meramente naturais para esperarmos algo, mesmo assim continuar esperando, devido a uma convicção proveniente da Fé. Santo Tomás de Aquino assim a define: "A confiança é uma esperança fortalecida por sólida convicção" (Suma Teológica, II IIae, q. 129, art. 6, ad 3).Para o homem, vulnerado pelo pecado original, tornou-se especialmente difícil reconhecer sua dependência a outros, e, de modo especial, sua subordinação a Deus. O Criador, como um Pai amoroso, desejando corrigir nossa alma, permite que muitas vezes permaneçamos em situações de incapacidade para agir, que tornam patente um fato: pelas próprias forças, não sairemos de certos impasses.Acabadas as esperanças humanas, Deus nos indica a saída -- a única: acreditar na sua Omnipotência e infinita misericórdia e justiça, e permanecermos firme na Fé e inflexíveis na Esperança, portanto "confiantes".Mas não se esgota aí a bondade divina. Para ensinamento nosso, a História oferece exemplos luminosos de pessoas que ficaram totalmente desamparadas, e contra toda expectativa natural, foram socorridas e viram realizadas suas esperanças.De todos os exemplos que a História registra, certamente nenhum sensibiliza tanto uma alma católica quanto certos episódios da vida Santíssima de Nossa Senhora.O Matrimónio de Maria: confiança em meio a perplexidadesSegundo a Tradição, Nossa Senhora ainda muito jovem consagrou-se ao serviço de Deus no Templo de Jerusalém. Durante esse período de sua vida, faleceram seus pais, São Joaquim e Santa Ana. E nos primeiros anos de sua existência, a Virgem Santíssima ofereceu a Deus sua virgindade, pois, desta forma, ficava Ela livre de todo liame que A impedisse de se dedicar totalmente ao Criador.Certamente esperava Ela ficar servindo a Deus no Templo, pois, que lugar melhor do que esse para fazê-lo? Mas... então Deus a submete a uma dura prova.Sendo Ela órfã, foi confiada aos cuidados do Sumo Sacerdote do Templo. Atingindo os 14 anos de idade, este comunica-lhe que pretendia encontrar para Ela um esposo. Para Nossa Senhora foi uma surpresa! Mas como?! De um lado, era impossível que o próprio Deus não conhecesse seu voto de virgindade; de outro, não era crível que Deus não tivesse guiado os passos do Sumo Sacerdote, autoridade a quem Ela deveria obedecer. Se Ela contraísse matrimónio, como manter-se-ia o voto de virgindade? Caso Ela se recusasse a casar, como evitar a desobediência à autoridade posta por Deus para guiá-la? Além do mais, a virgindade entre os judeus, no Antigo Testamento, não era entendida como hoje, pois todas as israelitas contraíam matrimónio na esperança de se tornarem a mãe do Messias.Não conhecendo os desígnios do Criador a seu respeito, tal situação para a futura Mãe do Messias era de molde a causar perplexidade. E, sobretudo, foi a hora da confiança: Ela devia ter Fé em Deus, que proveria para que mantivesse seu voto de virgindade, mesmo dentro do matrimónio.Chegada a ocasião para se escolher o esposo, apresentaram-se vários candidatos. Uma outra pessoa estava presente, mas era por um motivo jurídico. Sendo Nossa Senhora órfã, estabelecia a lei que devia estar presente para aprovar o matrimónio o parente mais próximo da Virgem. Este era São José. Como também ele havia feito voto de virgindade, compareceu à cerimónia de escolha do marido apenas como testemunha.Os caminhos de Deus, porém, eram outros. Inspirado por Ele, o Sumo Sacerdote submeteu os candidatos a uma prova: aquele cujo bastão florescesse tornar-se-ia esposo de Maria. Para surpresa de São José sua vara foi a que floresceu, mesmo não sendo ele aspirante à mão daquela sua parenta. Mas diante do evidente sinal divino para que se casasse, São José aceitou desposar a Virgem Maria. Sendo também ele casto, para Nossa Senhora esclareceu-se então uma parte do enigma: sua virgindade não ficaria comprometida. Restava, contudo, outra perplexidade. Por que teria Deus desejado seu matrimónio, uma vez que tinha o desígnio de que permanecesse virgem? Não seria mais adequado não se casar? Mais uma vez confiou Nossa Senhora na Sabedoria e Omnipotência de Deus, cuja intenção tornou-se clara mediante a Anunciação do Arcanjo São Gabriel. A Ela caberia a altíssima vocação de ser a Mãe do Messias -- o Verbo Encarnado! --, que nasceria por obra do Espírito Santo, tendo por pai adoptivo aos olhos dos homens o casto São José.Morte do Redentor: prova supereminente para a confiança "Não me toque" - Fra Angélico, séc. XV, afresco, Museu de São Marcos, Florença (Itália). O fresco representa a cena do encontro de Santa Maria Madalena com o Redentor ressuscitado. Antes da Ressurreição, com excepção de Nossa Senhora, tanto os Apóstolos quanto os discípulos e as santas mulheres não acreditavam nesse grande milagre do Divino redentorOutro exemplo de confiança nos ofereceu a Santíssima Virgem em sua existência mortal.Durante os três anos de sua vida pública Nosso Senhor Jesus Cristo operou os maiores milagres, provando que era o Filho de Deus. Mas por um plano altíssimo do Criador -- a Redenção do género humano -- era necessário que Ele se entregasse como vítima, pois era o Cordeiro de Deus. Isso, que hoje é tão claro para qualquer católico, não o era naquela época. Pode-se imaginar a perplexidade dos homens fiéis de então: tendo visto tantas vezes o Redentor curar cegos, leprosos e até ressuscitar mortos, presenciá-lo entregar-se sem resistência às autoridades que tramavam sua morte. Não só se entregou, como proibiu São Pedro que O defendesse com a espada. Diante desse comportamento aparentemente inexplicável, débeis na Fé, os Apóstolos fugiram. Talvez alguns fiéis esperassem que, do alto da Cruz, o Salvador realizasse algum milagre portentoso que demonstrasse definitivamente sua divindade. Mas isso não ocorreu... e Ele morreu e foi sepultado.Os Evangelhos narram que após a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, os Apóstolos, os discípulos e as santas mulheres ainda não acreditavam na Ressurreição, apesar de Nosso Senhor a ter anunciado várias vezes.Maria Santíssima entretanto acreditava e confiava. Sua Esperança era invencível. Ela conservou a Fé e a Esperança nas promessas divinas, apesar de parecerem estas desmentidas pela mais evidente das constatações.Desde a hora em que Nosso Senhor expirou na Cruz, na Sexta-Feira Santa, até o domingo da Ressurreição, somente Nossa Senhora permaneceu inabalável em sua Fé na Divindade de Nosso Senhor e na Esperança da Ressurreição. Por conseguinte apenas Ela, com perfeição e heroísmo, conservou a virtude da Fé. Pois, como diz São Paulo, sem a crença na Ressurreição, nossa fé seria vã. Assim, durante o Sábado Santo, apenas Nossa Senhora, em toda a Terra, personificou a Fé da Igreja nascente.Maria: arca de esperança dos séculos futurosA esse respeito, é oportuno recordar aqui um comentário do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira: "Como só Ela representou, nesta ocasião, a Fé, podemos dizer que se também Ela não tivesse crido, o mundo teria acabado. Porque o mundo não pode existir sem a Fé. A partir do momento em que não existisse mais Fé no mundo, a Providência acabava com o mundo. Devido à sua admirável Fé, Nossa Senhora sustentou o mundo, e só Ela deu continuidade às promessas evangélicas. Porque todas as promessas constantes nos Evangelhos, todas as promessas que figuram no Antigo Testamento de que o Messias reinaria sobre toda a Terra e seria o Rei da glória, o centro da História, todas essas promessas não se teriam cumprido se, em determinado momento, a virtude da Fé tivesse se extinguido. Se tal hipótese se concretizasse, o mundo teria que acabar. Nossa Senhora foi, portanto, a arca de esperança dos séculos futuros. Ela encerrou em Si, como numa semente, toda a grandeza que a Igreja haveria de desenvolver ao longo dos séculos, todas as virtudes que Ela haveria de semear, todas as promessas do Antigo Testamento e todas as acções praticadas na vigência do Novo Testamento. Tudo isto viveu dentro de uma só alma, a alma de Nossa Senhora."No domingo da Ressurreição, toda a confiança heróica que Ela tinha mantido viu-se recompensada. Ensinam vários teólogos que a primeira pessoa a ver Nosso Senhor ressuscitado foi a Santíssima Virgem, a quem Ele apareceu. Pode-se imaginar a felicidade da Mãe ao ver seu Filho resplandecente de glória, tendo cumprido de forma maravilhosamente heróica sua vocação de redimir o género humano."Tal foi o prémio da confiança: Ela viu antes dos outros o triunfo de Nosso Senhor."Nos dias de hoje, em que tantas aflições agitam os corações dos católicos fiéis, façamos como Nossa Senhora: Confiemos! O escritor francês Edmond Rostand, proferiu uma frase célebre: "É de noite que é belo acreditar na luz!Sirvam essas considerações para que jamais nossa confiança seja abalada, a exemplo da Mãe do Redentor da humanidade.

29.10.08

Como surgiu a oração do Santo Rosário




A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.
No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.
A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.
O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal.
No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe.
A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário.
A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados

religiosa - Recados Para Orkut


Religioso-5759